Em dia de orçamento, CGD domina plenário

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, pediu aos sociais-democratas que se unissem à esquerda para aprovar a recapitalização da CGD.

No dia em que se realiza a votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2017, a polémica em torno da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ainda é central da discussão no Parlamento. O deputado socialista João Paulo Correia deu o mote e acusou a direita de ser “contra o banco público” e de defender a privatização, que a atual maioria parlamentar de esquerda terá evitado.

O CDS-PP respondeu, pela voz do deputado João Almeida, que lembrou que, enquanto governo, o partido “nunca defendeu a privatização da CGD”. João Almeida defendeu a existência de um banco público e reconheceu a importância do acordo com a Comissão Europeia para a recapitalização, mas exigiu esclarecimentos ao Governo sobre os detalhes deste acordo.

O deputado António Leitão Amaro, do PSD, falou em “manobras de distração” e referiu que os portugueses estão “às escuras” porque o “governo recusa dar esclarecimentos sobre a CGD”. “A primeira administração foi chumbada pela Comissão Europeia. A segunda foi chumbada pela vossa falta de lealdade e seriedade”, acusou, dirigindo-se ao governo.

O Bloco de Esquerda (BE) defendeu a existência de uma CGD de “apoio à economia produtiva”, ao contrário daquilo que, acusou a deputada Mariana Mortágua, é o objetivo da oposição, que estará a usar a CGD como “arma de arremesso político contra o governo”.

Miguel Tiago, do PCP, criticou o “descaramento” das posições apresentadas pelos partidos na oposição. De acordo com o deputado comunista, o PSD e o CDS-PP “defenderam a privatização” deram dinheiro “dos contribuintes” ao Banif. “O que importa é que a CGD seja um banco robusto e sólido. Os portugueses vão ter um banco público quer o PSD e o CDS-PP queiram, quer não”, rematou.

Depois de Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, ter atribuído a responsabilidade “única e exclusiva” da atual situação da CGD ao Governo, que acusou de estar a levar a cabo um “ridículo jogo de ‘passa-culpas'”, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, pediu aos sociais-democratas que se unissem à esquerda para aprovar a recapitalização da CGD.

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