Didier Fiúza Faustino: 30 anos a questionar

Os projetos do “artista-arquiteto” franco-português, como o próprio se define, são marcados pelo questionamento do papel político da criação e da nossa posição enquanto sujeitos e cidadãos. O MAAT, em Lisboa, dedica-lhe uma retrospetiva que Faustino vê mais como um exercício prospetivo.

A perspetiva crítica de Didier Fiúza Faustino é transversal a “EXIST/RESIST”, a primeira exposição que cobre cerca de 30 anos de prática do artista franco-português, cujo trabalho tem provocado e transgredido de forma sistemática as demarcações formais e conceptuais entre arquitetura, design e arte.

A exposição abarca uma vasta seleção de obras, materiais preparatórios e protótipos – desenhos, fotos, modelos, instalações em larga escala, filmes e objetos, focadas em quatro vertentes centrais de pesquisa que se repetem na obra de Faustino: Habitação e Alojamento, Fronteiras de Corpos, Design como Resistência, Agonismo no Espaço Público.

A galeria oval do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, acolhe peças antigas e recém-criadas, empréstimos de coleções internacionais e documentação do arquivo privado do artista-arquiteto, aqui reveladas em primeira mão. A cenografia foi projetada pelo estúdio de Faustino – Mésarchitecture –, e pensada para pôr em diálogo duas áreas centrais do museu, criando assim duas experiências espaciais distintas.

Pelin Tan, que assegura a curadoria, escolheu o espaço central para instalar essa estrutura em larga escala, lado a lado com uma proposta radical intitulada “Democracia Portátil” (2016–2022), que convida o público a encarar as possibilidades e impossibilidades de se ser público, e que será palco de eventos, apresentações e performances durante este ato de “existir/resistir”.

A segunda sala foi pensada como um espaço performativo para o público se envolver com o pensamento artístico e de design de Faustino. Aí chegados, ouve-se em repetição a frase “não confiem nos arquitetos” em diversas línguas. Cultivar a dúvida e o pensamento crítico é um dos ângulos incontornáveis da prática de Faustino enquanto “artista-arquiteto”, como o próprio se define. Além da instalação sonora, este espaço acolhe também outras peças, como a recém-criada “Too late for Tomorrow” (2022), uma frase em neón que pretende estimular a reflexão sobre o futuro, e uma seleção de vídeos da série “Exploring Dead Buildings” (2010, 2015).

O artista-arquiteto que não prescinde de nenhuma destas disciplinas

Didier Fiúza Faustino iniciou o seu percurso na interseção entre arte e arquitetura, pouco depois de se licenciar em arquitetura, em 1995. A sua prática tem sido multifacetada e nada circunscrita, oscilando entre a instalação e a experimentação, as artes visuais e a criação multissensorial dos espaços, a arquitetura móvel e os edifícios.

Lecionou durante seis anos na AA School, em Londres, e foi editor da revista francesa de arquitetura e design “CREE” durante dois anos (2015-2016). Em 2009, fundou e criou a curadoria da primeira Bienal de Bordeaux dedicada à arte no espaço público. Vive e trabalha entre Paris e Lisboa, e dedica-se exclusivamente à arquitetura – tem projetos na Bélgica, Portugal, França, México e Costa Rica – e instalação e exposição artística (Lisboa, Los Angeles, Viena, Genebra).

Didier Faustino já expôs em museus e instituições de referência um pouco por todo o mundo, como o MoMA – The Museum of Modern Art (Nova Iorque), Palais de Tokyo (Paris), Centre Georges-Pompidou (Paris), Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), Maison Hermès (Tóquio), Laxart (Los Angeles), Fundação Beyeler (Basileia), MAXXI – Museo Nazionale delle Arti del XXI secolo (Roma), MOCAD – Museum of Contemporary Art (Detroit) e Storefront (Nova Iorque), MUDE – Museu do Design e da Moda (Lisboa), Cité de l’Architecture et du Patrimoine (Paris), La Verrière (Bruxelas), Monnaie de Paris, e MUCEM (Marselha), a que se somam as participações na 50ª Bienal de Veneza, Bienal de Arquitetura de Veneza (11ª edição do Pavilhão Francês; 9º Pavilhão de Portugal).

“EXIST/RESIST” estará patente no MAAT, em Lisboa, até dia 06 de março de 2023.

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