Dificuldades de financiamento da Fosun levam a alertas das autoridades chinesas. BCP e Fidelidade tranquilos

Oficialmente, o BCP não comenta e a Fidelidade também não, mas fontes ligadas às instituições mostram-se tranquilas e remetem para as declarações em julho, do presidente da Fosun, Guo Guang­chang, que disse que não ia vender ativos em Portugal.

As autoridades da China pediram aos maiores bancos e empresas estatais chineses para declararem o grau de exposição financeira ao grupo Fosun, um dos maiores conglomerados não estatais, que detém cerca de 30% do capital do Millennium BCP e cerca de 85% do capital da Fidelidade. A notícia foi avançada pela Bloomberg e provocou uma queda das ações do BCP de 5,69% para 0,14 euros.

Fontes próximas do BCP e da Fidelidade mostraram-se tranquilos com o facto da Fosun ser acionista do banco e da seguradora, e pelo facto de não terem exposição à dívida (obrigações) da Fosun ao mesmo tempo que não anteveem risco de default da Fosun.

Bolsa de Lisboa encerra no ‘vermelho’. BCP tomba mais de 5%

Oficialmente o BCP não comenta, e a Fidelidade também não.

Em julho, o presidente da Fosun, Guo Guang­chang, deu uma entrevista por escrito ao Expresso onde garante que “não está previsto qualquer desinvestimento em Portugal”. A Fosun detém quase 30% do maior banco privado, o BCP, tem 85% do capital da Fidelidade e, através da seguradora, é dona do grupo Luz Saúde. A seguradora foi o primeiro ativo que comprou, em 2014, num capital partilhado com a Caixa Geral de Depósitos, detendo uma participação de 15%. A Fosun tem ainda cerca de 5% da REN.

Vários reguladores, incluindo o supervisor bancário da China e a comissão chinesa que supervisiona os investimentos estatais em Pequim, recentemente disseram às instituições sob sua supervisão para examinar de perto sua exposição ao grupo Fosun, diz a Bloomberg que cita fontes que pediram para não serem identificadas.

A Fosun não recebeu qualquer notificação das autoridades sobre os pedidos, disse um representante do grupo numa declaração à Bloomberg.

A Bloomberg diz ainda que esta avaliação por parte da comissão estatal é prática corrente da sua investigação e já envolveu outras empresas, disse o porta-voz da Fosun à agência, acrescentando que as operações do grupo permanecem saudáveis e resilientes a desafios.

A Fosun International Limited é uma holding cotada em Hong Kong, integrada num dos maiores grupos privados de investimento chineses e viu as suas ações caírem mais de 7% por causa da notícia.

Embora os movimentos dos reguladores possam não conduzir a qualquer ação de contraordenação, são um sinal que reforçam as recentes preocupações dos investidores sobre a solidez financeira do grupo Fosun. O grupo, co-fundado pelo magnata Guo Guangchang em 1992, esteve outrora entre os adquirentes estrangeiros mais proeminentes da China, mas viu as suas ações e obrigações em dólares caírem nos últimos meses, diz a Bloomberg.

As entidades da Fosun divulgaram planos no início de setembro para reduzirem as suas participações nas unidades de turismo e farmacêuticas cotadas do grupo. A Bloomberg cita fontes a dizer que a Fosun está a tomar medidas para se desfazer de activos com vista ao pagamento das suas elevadas dívidas.

O valor das participações da Fosun International eram de 117,7 mil milhões de yuan (17 mil milhões de euros) em 30 de junho e o passivo total era de 651 mil milhões de yuan (93,1 mil milhões de euros), 40% dos quais eram empréstimos remunerados, de acordo com o seu relatório do primeiro semestre.

A China Banking and Insurance Regulatory Commission (a Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China) solicitou recentemente aos bancos comerciais que verificassem as suas exposições à dívida da Fosun e compreendessem os potenciais riscos de liquidez, disseram duas fontes à Bloomberg.

Tal ação da entidade reguladora não significa que queira que os credores alterem o seu financiamento para com a Fosun, incluindo os empréstimos pendentes, segundo a notícia da Bloomberg.

A filial de Pequim da Comissão de Supervisão e Administração do Património do Estado pediu às empresas estatais locais detalhes sobre as suas ligações ao grupo Fosun, que incluem participações acionistas, empréstimos e garantias, de acordo com as mesmas fontes que asseguram que aquela entidade faz esses pedidos de informação regularmente para verificar e compreender os riscos das empresas, e que não existe actualmente nenhum plano para restringir as transacções da SOE (State-owned Assets) com a Fosun.

No mês passado, a Moody’s Investors Service baixou a classificação da Fosun International, dizendo que a venda de activos provavelmente reduziria a dimensão, diversificação e transparência da carteira de investimentos da empresa.

As obrigações em dólares garantidas pela empresa chinesa têm estado entre as notas de alto rendimento com pior desempenho da China nos últimos três meses, de acordo com um índice Bloomberg. As obrigações de prazo mais longo estão abaixo dos 60 cêntimos do dólar, “preços que tipicamente sinalizam angústia”, diz a Bloomberg.

Recomendadas

PremiumMontepio suspende projeto para retirar 700 milhões de malparado

Chama-se “Projeto Douro” e pretendia retirar do balanço do banco entre 600 a 700 milhões de imóveis e crédito malparado a grandes empresas. Mas o processo está parado e sem data de retoma.

Laginha de Sousa defende a tributação do carbono para alinhar os incentivos privados com os objetivos sociais

Numa intervenção nas ESG Talks, o ainda administrador do Banco de Portugal e futuro presidente da CMVM, Luís Laginha de Sousa, citou um estudo recente da consultora McKinsey, que constata que mais de 90% das empresas do S&P 500 publicam atualmente algum tipo de relatório sobre sustentabilidade ESG. 

Fundação Santander lança mil bolsas para curso de negócios digitais

A Fundação Santander lançou mil bolsas que dão acesso ao curso Digital Business Development do Técnico+ Formação Avançada, unidade de pós-graduação do Instituto Superior Técnico.
Comentários