Dificuldades no acesso a capital travam empreendedorismo em Portugal

De acordo com um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “as restrições financeiras dificultam principalmente o tipo de empreendedorismo de alto potencial que impulsiona a criação de empregos e o crescimento económico”.

O empreendedorismo tem um papel importante na criação de emprego e no desenvolvimento económico nacional. No entanto, as restrições ao financiamento estão entre os obstáculos mais frequentemente identificados por potenciais empreendedores para a criação de novos negócios, conclui um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgado esta segunda-feira.

A investigação sobre o “Financiamento do empreendedorismo em Portugal” analisou dados do universo de indivíduos desempregados em Portugal entre 2005 e 2016, ou seja, cerca de dois milhões de pessoas. Destes, apenas 1,1% (23.530 indivíduos) participaram no programa Montante Único, que permite a qualquer pessoa abrangida pelo subsídio de desemprego receber antecipadamente o valor total dos seus subsídios – que poderá atingir um máximo de 47.791 euros – para iniciar um negócio.

“O estudo conclui que, ao aliviar as restrições de liquidez dos indivíduos desempregados, o programa Montante Único aumenta a probabilidade de criação de empresas com bom desempenho”, indicando “consistentemente que as restrições financeiras dificultam principalmente o empreendedorismo de elevado potencial, que é aquele que verdadeiramente impulsiona a criação de emprego e o crescimento económico”.

De acordo com os autores, “as estimativas sugerem que mil euros adicionais de financiamento aumentam a probabilidade de um indivíduo se tornar empreendedor em 0,12 pontos percentuais, em  média, o que corresponde a um acréscimo de 11%”.

Adicionalmente, referem, “confirma-se a existência de efeitos heterogéneos das restrições financeiras em diferentes tipos de empreendedores e negócios”, sendo que o “efeito das restrições  financeiras sobre a probabilidade de criação de uma sociedade é quase quatro vezes mais forte do que o efeito sobre a probabilidade de criação de uma empresa em nome individual, ou seja, o regime jurídico adotado na constituição de uma empresa acaba por condicionar o potencial do negócio”.

“Mais ainda, o efeito é especialmente forte no grupo de indivíduos com salários pré-desemprego mais elevados.
No que respeita a sectores, o efeito das restrições financeiras é maior em «Atividades de informação e de comunicação», seguido pelas «Indústrias transformadoras»”, conclui o estudo.

Por outro lado, a análise constata que “o acesso ao financiamento é particularmente importante para empresas com dimensão, crescimento e produtividade acima da mediana”.

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