Digitalização e inovação já fazem parte do ADN do sector financeiro

Como encara a sua organização o desafio da digitalização?

Cardmapr/Unsplash

Pedro Pimenta
Country Head do Abanca Portugal

A digitalização é um processo que começou há muitos anos. A adaptação a este tipo de serviços foi relativamente lenta e não foi uniforme até à pandemia, mas as limitações impostas pela covid-19 aceleraram o papel do digital no serviço ao cliente. O mundo da tecnologia está em evolução e isso acarreta desafios. De entre estes desafios destaco a prossecução do caminho da digitalização sem perdermos o rosto humano. Conseguirmos capitalizar as vantagens do digital e transformá-las num melhor serviço para os clientes, não esquecendo que cada cliente tem necessidades únicas. Isto obriga-nos a perceber que serviços podemos oferecer via digital. Por exemplo para abrir uma conta no ABANCA deixou de ser necessário deslocar-se a um balcão, podendo fazê-lo à distância através do site, o que era algo impensável, para muitos, há alguns anos. Ou também para quem gosta de operar nos mercados financeiros, poderá operar em bolsa de forma fácil e eficaz através do nosso Broker Online. Também temos que deixar claro a todos os clientes que têm sempre um gestor a quem podem recorrer, e que abordará as suas necessidades especificas de crédito ou de investimento – este é para nós um fator distintivo e que terá que ser sempre um aliado no caminho da digitalização. Ou seja, privilegiamos a gestão humana apoiada por ferramentas digitais potentes e acessíveis. Por outro lado, no ABANCA colocamos as novas tecnologias ao serviço dos nossos clientes – sermos digitais está no nosso ADN. E, por acreditarmos no papel da Inteligência Digital a par com o apoio que as fintech, as regtech ou as insurtech vão ter no setor financeiro, lançámos o Programa ABANCA INNOVA em Espanha, alargado também à participação de startups portuguesas. Este Programa, que já vai na sua sétima edição, é uma aceleradora de empresas que coloca à disposição das startups um conjunto de meios de apoio logísticos e financeiros. Neste momento privilegiamos as startups focadas precisamente nestes temas: tecnologia financeira, seguros, regulação e cibersegurança. A segurança dos nossos clientes é fundamental. Sabemos os riscos que a digitalização representa neste campo e, por isso, no ABANCA vamos continuar a investir não só em soluções que nos permitam prestar o melhor serviço ao cliente, como em ferramentas – muitas vezes invisíveis para o cliente, mas essenciais – para assegurarmos essa segurança.

 

João Guerra
CEO da Nickel Portugal

Os desafios que se colocam hoje às empresas e à própria sociedade advêm não só da evolução da digitalização como da necessária sustentabilidade a nível ambiental e social, razão pela qual a nossa estratégia passa por ter todos estes fatores de “mãos dadas”. Rapidamente percebemos o potencial das plataformas na escala dos negócios, os efeitos de rede, a necessidade de novos modelos de negócio e o impacto da inteligência artificial – todos eles aspetos alavancados no potencial da digitalização. Com a recente regulação do setor financeiro, as regiões onde se têm verificado menos barreiras à entrada de novos players e um crescente “convívio” entre Fintechs, neobanks e instituições tradicionais, têm criado importantes evoluções no setor. Este processo está a deixar Portugal, que até há uns anos se poderia orgulhar da sua evolução, isolado e para trás nesta corrida da inovação e globalização. Ainda assim, o setor bancário aproveitou o confinamento para acelerar a sua maturidade digital. Em alguns casos, o digital passou a ser o único canal. No entanto, isto não significa que todos os clientes consigam acompanhar. Só porque a tecnologia torna algo possível, não o torna necessariamente desejável, podendo mesmo excluir clientes.

Um balcão bancário não é o único local onde se pode servir o cliente. As lojas locais são de confiança, têm horários alargados, uma caixa para levantar ou entregar dinheiro e pessoas para um serviço cara-a-cara. Não sendo uma despesa estrutural, permitem continuar a oferecer serviços a toda a população, sem excluir aqueles que preferem a atenção humana. “Conta digital, serviço presencial”: é assim que encaramos o desafio. Dessa forma, estamos não só a contribuir para uma economia cada vez mais digital e cashless, como para a inclusão financeira e social da população.

 

Juan Jose Llorente
Country manager da Adyen em Portugal e Espanha

A Adyen é uma empresa de tecnologia focada em pagamentos. A digitalização faz parte do nosso ADN. Um dos grandes diferenciais é que nossa origem tecnológica, como plataforma de pagamentos, permite que os nossos clientes tenham acesso ao que há de mais moderno em inovação, segurança e digitalização. Em termos de digitalização, a regulamentação e o cumprimento das normas europeias requerem especial relevância, especialmente a relacionada com os pagamentos, a PSD2, que garante a segurança dos pagamentos dos clientes. A Adyen, como plataforma tecnológica, convive dia-a-dia com todo o tipo de regulamentação a nível global, além da PSD2, assim como outras regulamentações de privacidade, confidencialidade… Para que qualquer empresa que queira abrir novos mercados, seja online ou físico, e que quer fazê-lo de forma sustentável ao longo do tempo, de acordo com os seus planos de expansão, deverá ter em consideração ter um parceiro para o ajudar e aconselhar na hora de saber quais são os meios de pagamento mais exigidos, os regulamentos em vigor naquele país, bem como a integração de canais físicos e online para poderem coordenar e gerir o crescimento a partir de um único painel de controle. A digitalização deve ser concebida como um processo unificado, que contemple tanto o físico como o online, pensando ambos como se fossem um único canal, para que a sua gestão se desenvolva como um negócio unificado.

 

Carlos Costa Cruz
Head of Marketing & Partnerships na Askblue

O desafio da digitalização foi encarado pela askblue como uma oportunidade, quer na vertente de serviços de transformação digital para clientes, quer internamente na melhoria de processos.

Para o mercado, a askblue disponibiliza um conjunto de serviços que suportam todo o ciclo de vida de uma aplicação, desde a sua conceção com Service & Experience Design, onde se envolvem logo os vários stakeholders na fase da cocriação para serem parte da solução e não parte do problema, até ao desenvolvimento à medida nas principais tecnologias do mercado.

Outra mais-valia é a capacidade de identificar as partes da jornada de cliente que podem beneficiar de soluções de inteligência artificial, com as aplicações a aprenderem com os dados, sempre garantindo a privacidade e segurança na extração dos mesmos, bem como a compreensão dos modelos utilizados, e rejeitando as situações onde ainda não existe fiabilidade nos resultados ou onde há o potencial de enviesamento de resultados, até com questões éticas associadas. Não menos importante – e por muitas vezes esquecido – é o suporte aplicacional após a entrada em produção. Erros aplicacionais ou instabilidades na utilização por falta de capacidade das infraestruturas de hardware e/ou comunicações podem arruinar por completo uma jornada de cliente, razão pela qual lançámos, recentemente, a nossa oferta de Quality Assurance com testes aplicacionais automáticos. Este tipo de testes é sempre útil, mesmo existindo pequenas alterações na aplicação, que podem ter impactos não esperados noutras áreas da mesma. Basta executar uma bateria de testes durante a noite e tiram-se todas as dúvidas. Internamente, também estamos a colocar cada vez mais processos em workflows automatizados, em particular nas áreas de recursos humanos e financeira. Porque, hoje, é impossível ter uma operação eficaz e eficiente sem recurso à tecnologia.

 

Miguel Maya
Presidente executivo do BCP

O Millennium bcp está constantemente a investir em inovação para superar os desafios de hoje e para simultaneamente se preparar para o futuro. Mantemos uma trajetória de acelerada transformação digital que potencia o modelo de negócio de banca comercial que nos caracteriza, assente nas relações simbióticas que advêm da utilização da tecnologia conjugada com um atendimento personalizado de elevada qualidade. A utilização de tecnologia e as competências avançadas que desenvolvemos na análise da informação e no tratamento dos dados possibilitam a conceção de produtos inovadores e processos simplificados, permitindo proporcionar experiências de utilização diferenciadas, convenientes e personalizadas a cada cliente. O investimento e a consolidação na organização de competências requeridas pela transformação digital passa pela contratação de profissionais em novas áreas, mas também para reforço de competências analíticas e de risco. A tecnologia em si é acessível e replicável, mas é no talento e nos colaboradores que reside o elemento diferenciador e determinante para a projeção a longo prazo da Instituição e para assegurar a sua sustentabilidade. Até ao final do terceiro trimestre deste ano já contratámos 116 colaboradores, grande parte dos quais para áreas ligadas à digitalização. A confiança dos Clientes é o nosso principal ativo, pelo que atribuímos elevada prioridade e recursos à segurança e à proteção contra ataques cibernéticos. Investimos em recursos e tecnologia cada vez mais sofisticados e na literacia digital dos colaboradores e clientes, conscientes de que a cibersegurança se traduz numa maior sofisticação por parte daqueles que se dedicam à atividade criminosa, sendo este um processo eternamente incompleto. O percurso efetuado tem sido reconhecido e valorizado pelos Clientes: no final do terceiro trimestre de 2022, 62% dos clientes do grupo Millennium bcp utilizam as nossas soluções mobile, aproximando-se a passos largos da meta de 65% definida para 2024 no plano estratégico, e 73% dos Clientes interagem connosco digitalmente. O Millennium bcp foi distinguido este ano pela revista Global Finance como o Melhor Banco Digital (Best Consumer Digital Bank) em Portugal. A esta distinção soma-se a liderança em mais três categorias dos World’s Best Digital Bank Awards 2022. Este prémio é a prova e o reconhecimento do caminho feito pelo Banco nos últimos anos para acelerar a transição digital nos serviços prestados aos clientes.

 

Luís Teodoro
Administrador da SoftFinança

Surgimos no mercado, há 32 anos, com soluções inovadoras de sistemas de informação para o setor financeiro, numa altura em que o termo transformação digital não tinha a relevância de hoje. Antecipámos necessidades, articulados com os nossos clientes, procurámos e criámos soluções que responderam aos seus desafios e assegurámos que estavam sempre um passo à frente no mercado. Na altura, como agora, considerávamos que a digitalização era o caminho para continuar a crescer, inovar e oferecer produtos distintivos. É gratificante ter contribuido para várias iniciativas relevantes nesta transformação, ao longo destes anos. Como tal, temos investido cada vez mais na nossa oferta digital e, também, em levá-la para outros setores, como a saúde e retalho – para os quais disponibilizámos serviços e soluções como as soluções para o e-commerce, o digital signage, entre outros. Na banca, o nosso core business, o digital tem vindo a ser trabalho há largos anos. Desde o canal self-service da CaixaAutomática, em 1996, à APP do Cartão Universo, em 2016, temos estado envolvidos em vários projetos transformacionais na digitalização do setor. Nestes projetos, assim como em novos que temos vindo a desenvolver a nível global, continuamos a investir em soluções que irão dar resposta às necessidades e exigências dos clientes, e em particular no espaço do mundo digital – desde os pagamentos móveis à monitorização e controlo, das soluções de segurança e partilha de informação sensível às áreas de self-service, entre outras. As recentes implementações em países francófonos em África e na República Dominicana, comprovam a apetência do mercado para as nossas soluções que contribuem para consolidar esta mudança de paradigma causada pela transformação digital, e fortalecer o nosso posicionamento no mercado.

 

Maria Antónia Saldanha
Country manager da Mastercard Portugal

A digitalização é uma realidade para quem quer manter-se ativo no mercado, e, sobretudo, para os pequenos negócios. Mesmo antes da pandemia, a indústria dos pagamentos já tinha assistido a uma evolução exponencial, desencadeada pelo aumento sem precedentes do comércio eletrónico e dos pagamentos móveis. A pandemia veio impulsionar esta evolução. O dinheiro tem uma função básica, mas o dinheiro digital está a substituir o dinheiro físico a um ritmo acelerado, também como consequência das mudanças no nosso estilo de vida e no comportamento de consumo a que fomos forçados nos últimos dois anos, resultando numa grande aceitação dos pagamentos digitais. A Mastercard está, por isso, a apoiar as PME para que possam aproveitar todo este potencial digital. Um exemplo claro é o programa de apoio a 50 milhões de PME em todo o mundo, e com um foco direto em ligar 25 milhões de mulheres empresárias com as ferramentas para prosperarem. É um apoio necessário para garantir a inclusão e a igualdade de oportunidades e para criar e impulsionar a produtividade e a criação de riqueza, enquanto pilares da nossa sociedade. A Mastercard está comprometida com o nosso moto “doing Well by doing good” nas economias, sociedades e mercados em que estamos presentes e com a responsabilidade com os nossos colegas, mas também com as pessoas, empresas e governos que podemos capacitar com nossas soluções, para que todos possam prosperar na economia digital.

 

Francisco Barbeira
Administrador executivo do BPI

A nossa abordagem ao desafio da digitalização resume-se da seguinte forma: temos de ser People-centric, Digital by Default, AI First e Web 3 Ready. Esta visão reflete a preocupação primeira com clientes e colaboradores, bem como o nível de maturidade das tecnologias e a importância que ao dia de hoje têm para nós. People-centric, uma vez que todas estas dimensões tecnológicas e de transformação têm de estar centradas nas pessoas. O caminho tem de ser feito com o objetivo último de intensificar a nossa relação com os clientes e de aumentar a capacitação dos colaboradores. Digital by Default, porque hoje não é possível pensar de outra forma.

Para dar um exemplo muito simples, hoje, no BPI, 97% das operações transacionais já são feitas nos canais digitais ou ATMs e o peso dos canais Digitais nas vendas tem vindo a subir de forma substancial e é hoje já bastante expressivo (35%). Toda esta transformação gera um manancial de informação, que reforça o conceito de AI First, uma área onde o BPI está a investir significativamente. A utilização da Inteligência Artificial para gerar novo conhecimento a partir da informação é absolutamente estruturante para o desenvolvimento do negócio e para melhorar a experiência do Cliente. E, por fim, surge o Web3 Ready com todas as tecnologias que lhe estão associadas, como o blockchain, a realidade virtual e realidade aumentada, os ativos digitais, etc. E aqui, estamos perante todo um novo caminho de desafios e oportunidades. No BPI, queremos ser protagonistas desta disrupção tecnológica. É por isso que acabámos de lançar um o primeiro balcão em realidade virtual, o BPI VR. Acreditamos o desenvolvimento da Web3 apresenta novas oportunidades de negócio, novos pontos de interação com os Clientes e, eventualmente, novos canais de distribuição.

 

Isabel Guerreiro
Administradora executiva do Santander Portugal

Os desafios ajudam-nos a refletir, a sair da nossa zona de conforto e a procurar novas formas de nos reinventarmos. E é precisamente isso que tem acontecido com o setor da banca nos últimos anos, que tem passado por um processo de transformação profunda, fruto da alteração do comportamento dos clientes, em termos de relacionamento e de consumo, mas também pela entrada de novos players no mercado. A banca tradicional está a adaptar-se a esta nova realidade, alterando todo o seu modelo de negócio. Sabemos que não é suficiente investir em tecnologia, temos de apostar também no talento e em novas formas colaboração e de métodos para conhecer os nossos clientes, que permitam servi-los em todas as suas necessidades e de uma forma personalizada. A forma como o fazemos é que fará a diferença. No Santander estamos a inovar na forma como servimos os nossos clientes, para que o modelo de relacionamento seja mais imediato e funcional. Estamos a simplificar processos, a automatizar tarefas para diminuir a burocracia, a criar novos serviços e produtos 100% digitais. Já é possível abrir uma conta totalmente paperless ou ter uma conta para pequenos negócios exclusivamente online, só para dar alguns exemplos. Nos balcões, estamos a instalar máquinas de selfbanking com cada vez mais capacidades, com a vantagem de estarem disponíveis 24 horas por dia. O número de clientes digitais continua a subir – no último trimestre, recebemos 15 a 20 mil novos clientes por mês – e a sua exigência é cada vez maior. Mas estamos preparados para o desafio e para acompanhar as famílias e empresas que confiam no nosso trabalho. Acima de tudo, queremos ser um Banco Simples. Que os clientes venham até nós, independentemente do canal onde o fazem, e que no final se sintam plenamente satisfeitos com a experiência que tiveram.

 

Alexandra Ponciano
Diretora de marketing do Banco Montepio

Para qualquer organização é um esforço complexo, coletivo e de longo prazo, que traz desafios, mas também inúmeras oportunidades. A digitalização é irreversível, é agnóstica ao setor e alterou a forma como nos relacionamos com as marcas. A capacidade de a banca apoiar as empresas e as famílias em tempos de crise é “o desafio” porque a imprevisibilidade e volatilidade do futuro exige adaptação contínua na organização, ao mesmo tempo que transformamos os processos em que operamos. O aspeto mais importante neste desafio é o incentivo para a mobilização e compromisso da mudança, aproveitando as oportunidades proporcionadas pela inovação tecnológica, tanto dentro como fora da organização. A inclusão social e digital, dentro da estratégia de sustentabilidade do Banco Montepio, é potenciada pelo desenvolvimento tecnológico. Não é um fim, é uma forma de trabalhar, guiada pelo propósito e pela missão da marca Banco Montepio: apoiar pessoas, famílias, empresas e entidades da Economia Social e Solidária, por forma a contribuir ativamente para um presente mais consciente e solidário, e cooperar na construção de um futuro mais próspero e sustentável para as gerações atuais e vindouras.

Ao possibilitar novas ofertas e melhores interações e ligação aos nossos clientes, a tecnologia permite hoje, por exemplo, concretizar um objetivo que o Banco Montepio tinha há muito: o de colocar os clientes a participar ativamente na sociedade. O melhor exemplo da oportunidade criado pela tecnologia é a oferta que o Banco Montepio se prepara para lançar. É na origem de um banco que acredita que investir na sociedade traz retorno para todos, que o Banco Montepio criou um cartão que apoia causas sociais. De cada vez que o cliente usar o cartão estará a contribuir para uma causa à sua escolha e através da app vai poder controlar todo o seu impacto positivo e o efeito em cadeia de toda a comunidade. O K+ está a chegar, inspira-se na lei do retorno – ‘tudo o que vai, volta’, e quer contagiar todos a ser parte de um mundo melhor e mais justo. Estamos a trabalhar para que a tecnologia permita também, nesta oferta, a comunicação direta das causas e associações com a comunidade de clientes do Banco Montepio. É um exemplo de como a tecnologia facilita e respeita a singularidade de um banco nascido em 1844, a mais antiga instituição financeira em Portugal e 100% portuguesa e que tem como visão e propósito continuar a ser o banco de inspiração mutualista do país com o compromisso de defender a sustentabilidade social, económica e ambiental e de contribuir para a prosperidade de Portugal.

 

Meaghan Johnson
Head of Product da Rauva

A Rauva, como fintech, é imune aos obstáculos tradicionais que as instituições financeiras enfrentam em Portugal e no sul da Europa. Podemos construir uma super-app financeira em 2022, graças às tecnologias existentes para fazer parte da revolução do setor bancário digital. Estas tecnologias permitem que a Rauva construa um produto totalmente digital a pensar no cliente. Devido aos sistemas herdados, à forma de pensamento e de trabalho e aos produtos existentes que impedem a transformação digital, a maioria das instituições financeiras não consegue implementar (mesmo que queiram e precisem) tecnologias como a nossa. Por isso, os nossos desafios acabam por ser muito diferentes dos dos bancos já estabelecidos. A posição estratégica da Rauva está baseada na resolução de problemas do dia-a-dia do empreendedor: banca, contabilidade, cumprimento fiscal e operações. Mas com tantas soluções para capacitar os empreendedores, a dúvida é saber por onde começar.

Embora estejamos a criar uma super app que integra todos estes pontos, as prioridades têm de ser definidas com cuidado. Acreditamos que o primeiro passo são os serviços bancários digitais: a emissão instantânea de cartões, a criação de conta de uma forma totalmente digital, bem como a sua gestão online devem ser uma comodidade para os empreendedores. (Eles têm problemas mais importantes em que pensar – encontrar clientes, contratar, financiamento, etc). Assim que a fundação bancária estiver estabelecida, as oportunidades são infinitas. Seremos o parceiro dos 1,6 milhões de trabalhadores independentes e proprietários de pequenas empresas em Portugal e eventualmente no Sul da Europa, lar de 50% de todas as pequenas empresas dentro da Europa.

 

Vítor Pereira
Diretor de Produtos, CRM, Marketing e Canais Digitais e membro da Comissão Executiva do Bankinter Portugal

O investimento em inovação e tecnologia faz parte do ADN do Bankinter e tem sido um veículo muito eficaz para simplificar procedimentos, diversificar serviços e aproximar o banco das pessoas, procurando facilitar o seu dia-a-dia.

Isto consegue-se através da disponibilização de soluções digitais para efetuar operações bancárias à distância, mantendo o acompanhamento personalizado que permite aos clientes tomarem decisões de forma ponderada e informada, com processos mais intuitivos e transparentes. A pandemia e os confinamentos trouxeram enormes desafios para o funcionamento interno e externo das empresas. A conjuntura deu um novo impulso ao processo de transformação digital que já estava em curso no Bankinter, levando à criação de mecanismos que permitissem colmatar o distanciamento e manter o banco disponível para todos. Alguns exemplos são os processos de abertura de conta para particulares e de contratação de crédito habitação, que passaram a poder ser realizados de forma 100% digital, contando com o apoio de especialistas. Em breve, será disponibilizada a versão mobile da plataforma de investimento online Bankinter Broker. Destacam-se também as assistentes cognitivas Bia e Beatriz, que permitiram aumentar a capacidade de resposta telefónica às necessidades operativas e de informação dos clientes. Para as empresas, o Bankinter disponibiliza plataformas self-service, como a Plataforma de Negócio Internacional, para operações de trade finance, a Broker Divisas, que dá acesso à sala de mercados para operações cambiais, ou a Web Confirming, que permite ter a operativa totalmente digital e segura, com impactos positivos nos processos internos.

Estes exemplos espelham quatro fatores, que têm norteado a transformação digital no Bankinter: mais eficiência no trabalho desenvolvido pelos colaboradores, mais proximidade com os clientes, mais agilidade na resposta às suas necessidades e melhoria dos serviços prestados. A par destas vantagens, é importante garantir que a transformação digital seja inclusiva. Nesse sentido, o Bankinter tem contribuído para a promoção de vários programas de literacia financeira e digital.

 

Miguel Ramalho
Administrador do Banco Carregosa

A tecnologia está inscrita no ADN Carregosa. Estrategicamente, escolhemos aquelas com caraterísticas diferenciadoras, adequadas aos nossos serviços e que acrescentem valor na nossa relação com os clientes externos e/ou internos, melhorando a experiência do consumidor final e libertando os colaboradores para tarefas de maior valor acrescentado. Por isso, criticamos sistemática e continuamente os processos em vigor, procurando permanentemente ferramentas que contribuam, por exemplo, para a redução de custos e para o cumprimento eficiente das obrigações legais. Não agimos por moda, mas antes com o objetivo de construir relações próximas e de longo prazo nos nossos segmentos-alvo: Private Banking e Top Affluent.

Perante o aumento exponencial de conectividade, a digitalização tem riscos inegáveis, detetáveis pela Análise de Impacto de Negócio, em que se a avalia a exposição ao digital, se identificam os processos, os meios para os executar, os riscos e os potenciais mitigadores. Este exercício transversal, potenciador do envolvimento da organização para identificar e gerir riscos, complementa-se com a consciencialização dos colaboradores e dos clientes para os riscos de cibercrime, dotando-os de conhecimento para assumirem comportamentos mais responsáveis e possibilitando que ajam com sabedoria em situações extremas.

Não podemos esquecer que a internet foi criada com foco na resiliência e não na segurança. Por isso, muito embora os esforços encetados para minimizar os riscos, a questão é mais quando do que se seremos alvo de ataque, pelo que a aposta na prevenção, na resiliência e na capacidade de reposição dos serviços no caso de eventos disruptivos nunca deve ser descurada.

Resumindo, a digitalização é um compromisso que assumimos com consciência e responsabilidade.

 

João Baptista Leite
Chairman e CEO da UNICRE

Mais do que um desafio, a digitalização é parte integrante do nosso ADN. A UNICRE é, desde o início, uma empresa muito ligada à componente tecnológica, desígnio refletido no nosso propósito – “Ligamos pessoas, empresas e tecnologia, proporcionando experiências de pagamento únicas”. Enquanto empresa portuguesa, com mais de 48 anos de experiência e que sempre liderou toda a área de pagamentos, este propósito, aliado à nossa estratégia de IT, flexível e alinhada com o negócio, permitiu, tanto a nível interno, como externo, encarar a digitalização, ou mesmo disrupção digital, com uma oportunidade para crescer e fazer crescer. Com o aparecimento da Covid-19, além da preocupação com as nossas equipas e respetivos colaboradores, que passaram a adotar, na totalidade, um regime de trabalho híbrido (um processo que iniciámos em 2019), tivemos de ajudar os nossos clientes a fazer esta transição. A verdade é que a pandemia expôs um dos principais desafios do setor financeiro: a necessidade de acelerar a digitalização dos pagamentos. Com isto em mente, e para apoiar os negócios de diferentes setores e de diferentes tipologias a recuperar os níveis de faturação alcançados em período pré-pandemia, encetámos todos os esforços no sentido de, através da tecnologia, proporcionar mais e melhores soluções de pagamentos digitais ao mercado. Atualmente, e através da digitalização, conseguimos não só responder às necessidades dos nossos colaboradores, como disponibilizar uma série de soluções, como, por exemplo, o REDUNIQ Smart, o REDUNIQ @Payments e o REDUNIQ Easy, que têm permitido aos clientes e os negócios ingressar, mais facilmente e rapidamente, neste novo mundo de pagamentos.

 

Teresa Mesquita
Chief Marketing and Product Officer da SIBS

A tendência de digitalização é visível na economia e sociedade portuguesa, reforçadas pela pandemia e concretizando-se num acelerador sem precedentes deste movimento. Na SIBS temos disponibilizado soluções e tecnologia a consumidores, negócios e responsabilidade social que facilitam esta transição digital, permitindo pagamentos digitais com simplicidade, eficiência e segurança.

Primeiro, destaco a adoção do MB WAY com 4,5 milhões de utilizadores e 35 milhões de operações por mês. O MB WAY é já o método de pagamento preferido dos Portugueses nas loja online e teve um crescimento de 4x nos últimos dois anos nas compras em loja. O MB WAY permite pagamentos com o telemóvel, sem contacto em 400 mil terminais em todo o país. As compras em loja são feitas pela “leitura” de um QR Code no terminal de pagamento. Tem vindo a crescer ainda a utilização de QR Codes MB WAY em outros contextos de conveniência, como por exemplo um QR Code aplicado num produto para facilitar a colocação de uma nova encomenda. No Web Summit era possível “saltar as filas” para as refeições efetuando a compra de um menu de restauração através de um QR Code MB WAY. Segundo, olhando agora para a digitalização na perspetiva dos negócios, a mais recente inovação é o Tap & Pay. O empresário pode utilizar o seu próprio smartphone Android para aceitar pagamentos com cartões contactless, MB WAY com QR Code ou MB WAY com nº telemóvel – o que facilita também as vendas à distância. Além de pequenos empresários com necessidades de simplicidade e mobilidade, este tipo de soluções é igualmente interessante para setores como logística e retalho, pelo potencial de integração omnicanal com outras app’s e uma experiência personalizada. Terceiro e último, destaco as soluções de pagamento para o comércio online. O consumo no canal online passou de 9% do total de compras, antes da pandemia, para os atuais 15%. Este impulso é muito relevante para a competitividade das empresas nacionais que reagiram de forma rápida num período de extrema dificuldade e hoje oferecem os seus produtos online com capacidade de aceitar pagamentos digitais. A SIBS Gateway disponibiliza a aceitação dos métodos de pagamento preferidos dos Portugueses, seja MB WAY, pagamento de serviços ou cartão. Acreditamos que o futuro dos pagamentos será cada vez mais convergente em modelos digitais, pelo que encaramos a digitalização como uma oportunidade para continuarmos a ser agentes ativos de mudança, criando valor através do desenvolvimento tecnológico com impacto.

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