Dinamarca: social-democratas com o melhor resultado dos últimos 20 anos

A atual primeira-ministra ganhou, mas tem um dilema para resolver uma vez que foi enganada pelas sondagens. Na extrema-direita, o Povo Dinamarquês perdeu representação, mas foi substituído pelos Democratas da Dinamarca.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, venceu as eleições de 1 de novembro passado, com o bloco de esquerda a manter a maioria, desta vez de apenas um lugar no parlamento. Apesar de tudo, o resultado não foi, para o bloco vencedor, propriamente mau: as pesquisas anteriores a 1 de novembro e as sondagens à boca das urnas indicavam que o bloco vermelho (de cinco partidos) perderia a maioria no parlamento de 179 lugares, mas os últimos votos (dos territórios das Ilhas Faroé e da Groenlândia) permitiram mantê-la, com 90 deputados.

Individualmente, Mette Frederiksen e o partido social-democrata tiveram o melhor resultado dos últimos 20 anos, com 27,6% dos votos e 50 deputados. Mas a primeira-ministra está agora num dilema: na campanha eleitoral – e face às más indicações das sondagens para o bloco vermelho, afirmou que, se ganhasse, iria promover um governo de bloco central, acabando com os tradicionais governos de bloco. Com a manutenção da maioria vermelha, se insistir no bloco central será rapidamente considerada uma ‘traidora’, ganhando uma guerra com o seu bloco de sempre. Se voltar atrás e fizer um governo de esquerda, será acusada de não cumprir uma promessa de campanha.

Segundo a imprensa dinamarquesa, é de esperar que Mette Frederiksen se volte primeiro para o seu antecessor de centro-direita, o ex-líder do Partido Liberal Lars Rasmussen, que agora à frente do novo partido centrista, os Moderados, conquistou 16 lugares. Rasmussen insistiu já depois das eleições que quer ser “a ponte” contra a tradição: “Não é vermelho ou azul, é uma questão de bom senso”.

Do outro lado, o líder da oposição, Jakob Ellemann-Jensen, do Partido Liberal, reconheceu a derrota do bloco depois de o seu partido ter perdido 19 de seus 43 lugares no parlamento. Ainda na área azul, as políticas de imigração mais rígidas implmetentadas pelos partidos centrais reduziram o apoio ao partido de extrema-direita Povo Dinamarquês. Mas um novo partido, os Democratas da Dinamarca, criado pelo ex-ministro da Imigração Inger Stojberg, obteve 8% dos votos (o quinto lugar) e 14 deputados.

O cenário político parlamentar da Dinamarca está muito fragmentado, com 12 partidos a conseguirem lugares.

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