Diogo Lacerda Machado representa Governo na solução para crédito malparado

“Não basta resolver o problema da banca, é preciso resolver o problema das empresas. Para ninguém sobrecarregar ninguém”, disse António Costa na entrevista à RTP, sobre a solução que está em vista para o crédito malparado.

António Costa revelou ontem, na entrevista a RTP, que Diogo Lacerda Machado também o está a representar o Governo no trabalho que está a fazer com o Banco de Portugal na criação de uma solução para o crédito malparado.

“Está a assessorar-me em matérias várias desde os lesados do BES até à resolução da situação dos empréstimos não performativos da banca”, afirmou o primeiro-ministro, referindo-se ao crédito malparado. Esta afirmação surge em resposta à pergunta se Diogo Lacerda Machado estaria em nome do governo a trabalhar na venda do Novo Banco. Costa disse que o Novo Banco era o Fundo de Resolução que estava a liderar o processo de venda e que só depois o Banco de Portugal elaboraria um parecer sobre as propostas e enviaria ao Governo.

Sobre a solução para crédito malparado, António Costa recusou que fosse um “bad bank”, porque o “banco mau” normalmente resolve o problema da banca destruindo o tecido empresarial português.

“O Banco de Portugal e Ministério das Finanças estão a concluir os trabalhos, têm surgido várias propostas quer no que diz respeito ao tratamento do crédito bancário, quer no que diz respeito ao apoio às empresas devedoras de forma a podermos ajudar as empresas que são viáveis a ultrapassar situações de asfixia financeira e não estarmos a continuar a destruir capital e a destruir emprego”, disse António Costa. “Não basta resolver o problema da banca, é preciso resolver o problema das empresas. Para ninguém sobrecarregar ninguém” diz o governante ao mesmo tempo que explica que “o grande problema dos bancos maus é que resolvem o problema da banca mas tendem a destruir todo o tecido empresarial que é devedor, ora há muito tecido empresarial que é devedor mas são empresas absolutamente viáveis. Diz António Costa que sugere boas condições de pagamento dos créditos a essas empresas. De resto esta é a posição de alguns gestores da banca, nomeadamente de António Ramalho, presidente do Novo Banco.

António Costa diz que a solução que está a ser preparada actua quer do lado dos bancos quer ajudando as empresas viáveis a recuperar. Na calha está uma alteração à lei das falências, que é aliás uma das reivindicações recentes dos banqueiros, acelerar os processos judiciais, de modo a evitar a degradação dos activos das empresas em processo de insolvência

António Costa está optimista quanto à estabilização do sistema financeiro, diz que espera chegar ao final deste ano com o quadro geral dos sistema financeiro estabilizado e com o quadro de medidas definido. “Temos que entrar em 2017 a olhar para as nossas Finanças Públicas tranquilos e sem pensar na angústia do dia-a-dia”, disse o chefe do Executivo.

O primeiro-ministro disse ainda que a CGD terá de entregar a auditoria que a Deloitte está a fazer à carteira de crédito ao Governo, porque essa auditoria é essencial para justificar o esforço de capitalização para que possa ser executado o Plano de Capitalização.

Sobre os prejuízos previstos de 3 mil milhões de euros por conta das novas imparidades. Costa explica que esse número resultada verificação que auditora está a fazer à situação acumulada da Caixa.

Essas imparidades não são perdas definitivas, são apenas registo de perdas esperadas. Os créditos ficam no banco e vão ser recuperados mais tarde e nessa altura vão ser libertadas as imparidades o que se traduz em lucros.

Sobre o impacto deste nível de imparidades noutros bancos, António Costa diz que se tem posto a questão de se esta avaliação de risco de crédito em relação à empresa A, que é também devedora de outros bancos, não tem de ser aplicada noutros bancos que têm os mesmos créditos.

Cada banco tem que ter o capital que necessita e para isso temos de apurar quais as necessidades de capital.

 

 

 

 

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