Diplomacia económica investe no “triângulo estratégico”

O I Encontro América Latina – CPLP decorre hoje em Lisboa e junta representantes de uma vintena de países. Em cima da mesa está a importância do reconhecimento do eixo Europa-América Latina-países da CPLP. Diversos nomes da vida diplomática, política e económica da lusofonia e da América Latina reúnem-se esta manhã no Grémio Literário no  […]

O I Encontro América Latina – CPLP decorre hoje em Lisboa e junta representantes de uma vintena de países. Em cima da mesa está a importância do reconhecimento do eixo Europa-América Latina-países da CPLP.

Diversos nomes da vida diplomática, política e económica da lusofonia e da América Latina reúnem-se esta manhã no Grémio Literário no  I Encontro América Latina – CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), duas regiões do mundo unidas por fortes laços linguísticos e culturais. Pelos negócios também, mas em menor dimensão. A partilha do espaço ibero-americano é uma vantagem que poderá e deverá ser por todos melhor aproveitada a nível dos negócios.

“Esta reunião vai abordar a importância do reconhecimento deste “triângulo estratégico” Europa-América Latina-países da CPLP, unido por uma intercompreensão linguística entre o português e o castelhano que representa um mercado de cerca de 900 milhões de pessoas, com as oportunidades que existem de parte a parte em vários setores”, explicou ao OJE Francisco Almeida Leite, administrador executivo da SOFID.

O I Encontro América Latina – CPLP é, por assim dizer, uma investida de diplomacia económica, promovida por duas instituições ligadas ao desenvolvimento: a SOFID (Sociedade Financeira para o Desenvolvimento) e o IPDAL (Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina).

Para além de uma apresentação da SOFID aos diplomatas presentes – à hora do fecho desta edição estava confirmada a presença de mais de 20 países da América Latina e das Caraíbas, bem como da CPLP -, o encontro pretende dar a conhecer aos representantes deste grupo de países que esta sociedade tem atualmente contratados projetos de investimento no montante global de 49,29 milhões de euros, que se distribuem por países de África e América Latina e compreendem diversos setores de atividade.

O apoio da SOFID a estes projetos – de raiz, modernização ou expansão – traduz-se em 13,04 milhões de euros, entre empréstimos e emissão de garantias bancárias.

Os países da CPLP ocupam um lugar de relevo no mapa da internacionalização das empresas portuguesas. Um estudo realizado pelo INDEG-IUL  ISCTE , em colaboração com a Fundação brasileira Dom Cabral e o apoio da AICEP, divulgado, ontem, pelo OJE, refere que “na perceção da maioria das nossas empresas (55%), existem mais ou muito mais oportunidades de negócio nos países da CPLP do que nos demais”. Em linha com esta perceção, a maioria planeia expandir as suas operações internacionais nos países lusófonos onde já atua, sendo o Brasil, Angola e Moçambique os principais mercados alvo.

Com a América Latina, o relacionamento de Portugal atravessa um período dinâmico. O nosso investimento nos países da região deverá, aliás, ser visto na perspetiva mais abrangente de estado-membro da União Europeia.
Francisco Almeida Leite explicou ao OJE que com esta iniciati va, a SOFID “espera criar maior consciência quanto às oportunidades e às formas de financiamento das PME, aproximando também países em franco crescimento do espaço CPLP, como Angola e Moçambique, dos países da América Latina que também têm apresentado taxas de crescimento muito interessantes, como é o caso do México, Peru, Brasil, Colômbia, entre outros.”

Além dos promotores, participa no fórum a Diretora-geral da CPLP, Georgina Benrós de Mello e presidindo ao encerramento estará o secretário de Estado das Finanças, Manuel Luís Rodrigues. O miolo será preenchido pelas intervenção dos embaixadores presentes. Um almoço de networking sela esta iniciativa.

 

Almerinda Romeira

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