Diretiva da Distribuição mais disruptiva e partilhada continua em discussão na AR

Desafio digital, introdução da robótica e economia partilhada são desafios para o setor segurador em 2019. Nos seguros, lembra Joana Campos Carvalho, da Universidade Nova, as novas empresas gostam de se apresentar como “inovadoras e disruptivas” e conquistarem mercado.

A Lemonade e s Friendsurance são dois exemplos de estudo com os modelos peer-to-peer e que mais não é do que regressar às origens do mutualismo. As novas gerações gostam do imediatismo e de sentir “que estão a colaborar com outras na construção de alguma coisa” e os novos modelos de negócio na área dos seguros apostam nisso.

E tudo acontece numa altura em que se espera a implementação da diretiva da Distribuição. Margarida Lima Rego, professora da Universidade Nova, frisa que a grande crítica que se coloca a uma diretiva que está em discussão no Parlamento em sede de especialidade, é a regulação. “O processo tem sido moroso e quando a estivermos a implementar estará desatualizada”, para sublinhar que a diretiva irá aplicar-se às novas formas de distribuição. O regulador frisa, em entrevista, que a atividade de distribuição de seguros pelas plataformas mundiais “não as dispensa do cumprimento dos requisitos fixados”, e o regulador pode atuar sobre as plataformas de forma direta ou “através das empresas de seguros que as utilizem como veículo de distribuição”. Portugal está atrasado desde outubro, mas os players do mercado desvalorizam. João Quintanilha, da UNA Seguros diz que que não haverá dificuldade na aplicação prática, também Corvaceira Gomes, da Aprose, a maior associação de mediadores de seguros do país diz que as “implicações e consequências do atraso” não serão significativas para o setor. Dos 28 Estados-membros apenas 17 implementaram a diretiva a nível nacional, o que não quer dizer que o país não esteja em incumprimento e possa ser alvo de um processo de infração.

O gestor da Aprose lembra que a diretiva da Distribuição reforça os requisitos e regras de exercício da atividade, nomeadamente a adequação dos produtos aconselhados às reais necessidades dos clientes e de acordo com os seus melhores interesses. Uma visão diferente tem José Manuel Fonseca, da MDS, que frisa a necessidade de investimento do setor na qualificação e certificação adequada dos novos recursos, pelo que não exclui “movimentos de concentração entre os players do mercado, procurando ganhos de escala e eficiência”.

Mas ao mesmo tempo que se discutem novas regras, o setor segurador discute tecnologia, sharing, distribuição P2P (peer to peer) e o impacto das grandes plataformas mundiais de distribuição de serviços. “As plataformas eletrónicas são um grande desafio, mas podem perder um grande potencial de competitividade no pós-venda, a par da baixa fidelização e retenção em relação aos agentes” que estão no terreno, diz Corvaceira Gomes. A par da nova visão da distribuição, existem os novos riscos à escala mundial, e o gestor da MDS relembra que eles já estão presentes, caso das alterações climáticas, das catástrofes naturais, dos cyber riks, do terrorismo, dos conflitos sociais, dos crashes bolsistas e das pandemias. E o mesmo gestor relembra um estudo recente do Lloyd’s e que em Portugal é representado pela MDS.

E como acomodar todas estas tendências? As insurtechs dão a reposta e podem ser um aliado. José Manuel Fonseca afirma em entrevista que está no mercado a ver este tipo de oportunidades, enquanto a Aprose lembra que a possível aliança entre os mediadores e a multisseguradora, num ambiente que apresenta grande potencial para a digitalização, via as funcionalidades da internet of things, do machine learning e o aconselhamento robotizado, é a grande oportunidade.

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