Diretora da Huawei detida no Canadá alega razões de saúde para ser libertada

A diretora financeira da gigante chinesa das telecomunicações, detida no Canadá a pedido dos Estados Unidos, apelou na segunda-feira a um tribunal de Vancouver para que fosse libertada sob fiança, alegando razões de saúde.

A audiência acabou por ser suspensa sem que nenhuma decisão fosse anunciada, num momento em que Pequim aumentou a pressão sobre Ottawa e Washington durante o fim de semana para obter a libertação de Meng Wanzhou. A audiência será retomada na terça-feira, disse o juiz.

A filha do fundador do Huawei Group, o segundo maior do mundo em equipamentos para telemóveis e telecomunicações, também afirmou a disponibilidade para se sujeitar a rigorosas medidas de vigilância durante o processo.

Um de seus advogados, David Martin, explicou que, se a sua cliente fosse libertada, esta arcaria com todos os custos da supervisão, a qual seria atribuída a duas empresas de segurança privadas, uma das quais liderada por ex-polícias e militares canadianos.

Meng Wanzhou passaria a residir numa das duas propriedades que possui em Vancouver, entregaria o passaporte e usaria uma pulseira eletrónica, para além de estar disposta a pagar uma caução de 15 milhões de dólares canadianos (cerca de 8,9 milhões de euros).

Contudo, a representante do promotor público canadiano opôs-se novamente à sua libertação, afirmando acreditar que existe o risco de Meng Wanzhou fugir para a China para escapar a uma possível extradição para os Estados Unidos.

Após a detenção da diretora financeira da Huawei, a China convocou no domingo o embaixador dos Estados Unidos em Pequim e pediu a Washington que abandone o pedido de extradição.

Pequim já tinha convocado um dia antes o embaixador do Canadá.

A justiça norte-americana pede a extradição da diretora financeira, também vice-presidente da administração e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, por suspeita de ter violado sanções de Washington impostas ao Irão.

Também no domingo, o conselheiro económico da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que Donald Trump desconhecia a detenção de Meng Wanzhou na altura em que jantava com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, na semana passada.

A diretora financeira, de 46 anos, é suspeita pela justiça norte-americana de ter mentido a vários bancos sobre uma subsidiária da Huawei com o objetivo de obter acesso ao mercado iraniano entre 2009 e 2014, violando as sanções dos Estados Unidos.

Relacionadas

China aumenta pressão sobre Canadá para que liberte Meng Wangzhou

O vice-ministro dos Assuntos Exteriores da China, Le Yucheng, convocou, no sábado à noite, o embaixador do Canadá, John McCallum, para lhe apresentar um “forte protesto” pela detenção de Meng Wangzhou em Vancouver e instou Otava a libertá-la de imediato, de acordo com um comunicado daquele gabinete chinês.

China insta Canadá a libertar executiva da Huawei sob ameaça de “consequências severas”

A diretora financeira da empresa tecnológica chinesa, Meng Wanzhou, foi detida a 1 de dezembro no Canadá, a pedido das autoridades fiscais dos EUA e por suspeita de fraude em relação às sanções económicas impostas ao Irão. Ministério dos Negócios Estrangeiros da China diz que o caso é “muito sujo” e exige a “libertação imediata” de Wanzhou.

Diretora financeira da Huawei acusada de fraude pelos EUA

Meng Wanzhou é acusada de “conspiração para defraudar diversas instituições financeiras”, passível de condenação a mais de 30 anos de prisão. A empresa tecnológica chinesa terá utilizado uma outra empresa, a SkyCom, para violar as sanções económicas impostas ao Irão.

Detenção da CFO da Huawei e queda do preço do petróleo levam Wall Street a fechar mista

Detenção no Canadá da CFO da Huawei, Meng Wanzhou, fragilizou as tréguas comerciais entre os EUA e a China, podendo colapsar. OPEP adiou a decisão sobre corte de produção do petróleo, levando o preço do “ouro negro” a cair.
Recomendadas

Bancos da zona euro devolvem antecipadamente 447,5 mil milhões ao BCE

Este montante vem juntar-se aos quase 300 mil milhões de euros que foram reembolsados antecipadamente em 23 de novembro.

Região de Coimbra lança Academia Gastronómica para reforçar distinção europeia

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra vai promover, em 2023, um conjunto de iniciativas para reforçar o estatuto de Região Europeia de Gastronomia com que foi distinguida no biénio de 2021-2022.

No segundo dia de greve, TAP operou 82 voos dos 119 voos previstos

“Até ao final do dia, a Companhia prevê efetuar a totalidade dos 119 voos programados para hoje, para 36 destinos, incluindo todos os de serviços mínimos”, lê-se no comunicado enviado às redações. No dia de ontem, foram realizados os 148 voos previstos, sendo 64 de serviços mínimos.
Comentários