Diretora do FMI culpada por negligência no desvio de dinheiros públicos

Christine Lagarde foi condenada, esta segunda-feira, por um tribunal francês por ter permitido “por negligência” um enorme desvio de dinheiros públicos quando era ministra da Economia em França.

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, foi esta segunda-feira condenada pelo Tribunal de Justiça da República francês por ter permitido “por neglicência” um desvio de fundos públicos quando era ministra da Economia.

O processo remonta a 2007, quando o Ministério da Economia escolheu, contra o parecer Agência de Participações Estatais (APE), um dos órgãos consultivos, recorrer a um tribunal de arbitragem privado para julgar uma polémica disputa que opôs o empresário Bernard Tapie e o antigo banco público Crédit Lyonnais. Em causa estava a venda da quota que Tapie detinha da Adidas ao Crédit Lyonnais no início dos nos 1990.

Christine Lagarde é também acusada de em 2008 não ter contestado o resultado do processo, favorável a Tapie – próximo do ex-presidente Nicolas Sarkozy – já que o Governo francês teve de proceder à indeminização do empresário em 404 milhões de euros com dinheiros públicos.

No início de 2015, a justiça civil decidiu anular a decisão de indemnizar o empresário francês considerando tratar-se de uma fraude e determinando a devolução do valor recebido ao Estado francês. A justiça francesa acordou agora que a ex-ministra agiu de forma negligente na abordagem do processo, decidindo, no entanto, isentar Christine Lagarde de qualquer pena.

O caso Tapie é o quinto processo a ir a julgamento no Tribunal de Justiça da República, uma jurisdição híbrida (semi-política e semi-judicial) criada em 1993 especialmente para julgar ministros e antigos ministros por erros cometidos durante o exercício das suas funções.

A liderança de Lagarde no Fundo Monetário Internacional (FMI), para o qual foi reeleita este ano para um novo mandato de cinco anos, poderia sair abalada neste caso. Contudo,  o FMI  reafirmou, em comunicado, que mantém plena confiança” na capacidade da diretora-geral do Fundo para continuar à frente da instituição, apesar da condenação.

Numa declaração feita depois de ser conhecida a decisão da Justiça francesa, a antiga ministra revelou que não vai recorrer da decisão. “Fui considerada negligente, mas sem pena, sem sanção, sem registo da decisão. Não estou satisfeita com isso, mas há um ponto no tempo em tem de se parar, virar a página e seguir em frente, e continuar a trabalhar com aqueles que depositaram a sua confiança em mim”, frisou a diretora-geral do FMI.

 

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