Discotecas antecipam arranque do ano desafiante enquanto aguardam por apoios do Estado

Além de aguardarem apoios relativos a janeiro, o presidente da Associação Nacional de Discotecas diz que a testagem tem representado um problema para as discotecas que lutam para manter portas abertas.

As portas das discotecas reabriram há alguns meses, mas mantê-las abertas tem sido difícil não só por causa das medidas decretadas e que obrigam a apresentação de um teste negativo à entrada dos estabelecimentos, mas também devido aos apoios do Estado que ainda faltam executar — apoios esses que remetem para o próximo mês de janeiro, altura em que as discotecas vão encerrar novamente.

“Há um compromisso de apoiar estas empresas que tiveram quebras de faturação, houve esse compromisso por parte do Ministério da Economia através do secretário de Estado do Comércio João Torres, muito na linha dos apoios anteriores e é isso que estamos a aguardar: que sejam anunciados os apoios e que saiam essas portarias”, explicou José Gouveia, presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN) ao Jornal Económico (JE), acrescentando que essas medidas dizem respeito ao “período de contenção”.

Entre 2 e 9 de janeiro, Portugal vai estar sob medidas mais apertadas, que incluem o teletrabalho obrigatório, adiamento do calendário escolar e o encerramento das discotecas.

Enquanto aguardam pelos apoios, as discotecas lutam para manter a sua atividade.

“Neste momento há discotecas que estão a trabalhar a 10%, umas que já encerraram e outras que estão a aguardar a passagem de ano para baixar o prejuízo que tiveram desde dezembro”, descreveu o presidente da ADN. De recordar que até mesmo antes de abrirem 60% das discotecas já tinham encerrado.

O problema de faturação agrava-se quando se sai das grandes áreas metropolitanas, refere o responsável, por haver uma falta de capacidade de testagem e que esta está “centralizada nos grandes centros”.

“O grande problema está nas pequenas cidades e mesmo noutras localidades como em Coimbra, Viseu, o Algarve que não aguentaram a situação de ter clientes que queriam fazer um teste para sair à noite tinham de fazer 30 ou 40 quilómetros para encontrar uma farmácia que comparticipasse”, sublinhou José Gouveia, recordando que nesta primeira fase “só mil farmácias podiam comparticipar”.

“Tem sido um processo complicado e difícil porque esta historia de testagem mostrou que não era exequível da forma como o Governo achava que seria possível fazer”, admitiu o representante dos empresários da diversão noturna.

Quanto à possibilidade do prolongamento do encerramento destes estabelecimentos, esta não deverá ser novamente uma opção, uma vez que o responsável afirma ao JE ter recebido garantias por parte do Governo.

“[O gabinete de] João Torres, deu-me a garantia de que não estava em cima da mesa qualquer tipo de encerramento e estou a contar com isso”, frisou José Gouveia.

O mesmo já foi referido pelo primeiro-ministro, António Costa, que apenas prevê que as medidas restritivas nas fronteiras para o controlo da pandemia em Portugal vão prolongar-se para além do dia 9 de janeiro. Quanto às medidas internas, relativas à frequência de restaurantes e outros estabelecimentos abertos ao público, espectáculos ou eventos desportivos, o primeiro-ministro não antevê, por enquanto, nenhuma alteração nas regras.

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