Ditaduras legítimas

Os resultados revelam que 42% dos eleitores franceses, apoiam medidas securitárias fortes e revelam um crescente sentimento anti-imigração


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A pior ditadura é a que se legitima pelos votos. Foi assim com a Alemanha de Adolf Hitler, ia sendo na França dos nossos dias. E o espectro ainda não se desvaneceu, malgrado as manifestações de júbilo pela derrota da FN de Le Pen no passado fim-de-semana.

Os resultados revelam que 42% dos eleitores franceses, apoiam medidas securitárias fortes e revelam um crescente sentimento anti-imigração. Ora num país onde a população imigrante ou originária de outras nacionalidades é da ordem dos cinco milhões de habitantes e que deve a sua recuperação do pós-guerra exatamente aos fluxos migratórios, uma tal votação é duplamente preocupante.

Desde logo porque revela o que já se sabia desde há muito mas que se tornou flagrante agora: os países de grande imigração, com segundas e até mesmo terceiras gerações de cidadãos com origem externa, não souberam (ou não quiseram) enquadrar estes novos nacionais numa igualdade de direitos e deveres. Fazem lembrar um pouco os nossos conterrâneos que viviam nas ex-colónias e como tal eram portugueses de segunda!

As noites dos carros incendiados nas cidades de França e Alemanha de há uns anos atrás, indiciavam já uma vaga de descontentamento, um sentimento de “ eles” e “nós” em contramão, que culminou nos atentados de Paris e que, certa e infelizmente, não ficará por aqui!

O que a França veio afirmar alto e bom som é que pretende sentir-se segura no seu próprio território, quer que os seus valores e as suas normas sejam respeitadas, recusa paternalismos e cedências a outras culturas em detrimento das próprias.

Podemos culpá-la?

Daqui a aceitar medidas extremas e xenófobas vai a distância dum passo, a distância de 8%!  É pouco, muito pouco e preocupante!

Os movimentos anti-imigração, anti-muçulmanos, anti-refugiados, ganham terreno e fazem eco na população em geral e não se limitam à França, à Alemanha ou a qualquer outro país. A globalização atua como meio condutor de todas as ideias, de todos os medos.

Portugal recebeu os primeiros refugiados esta semana. É uma ínfima gota num oceano de tragédia! Que foi feito para os dar a conhecer? Não me refiro ao conhecimento pessoal, mas às suas origens, às suas condições? Muito pouco, quase nada!

Perguntemos ao cidadão comum onde fica a Eritreia e qual a razão destes cidadãos serem considerados elegíveis para proteção internacional.  O ar atónito do inquirido servir-nos-á de resposta! Mas é o voto desse cidadão que poderá determinar o fecho das fronteiras e as políticas de “A Europa para os Europeus” à semelhança do que pretende Donald Trump nos EUA.

O conhecimento do outro é o caminho mais rápido para a integração, para a aceitação, para a sã convivência. Para Portugal ainda não é tarde mas é preciso que os organismos oficiais o façam. De forma clara, sem paternalismos , sem frases politicamente corretas, sem medos , de olhos nos olhos do cidadão comum.

A Europa, fraca, titubeante, frágil, inoperante, é terreno fértil para o aparecimento de novas e perigosas ditaduras. Que Portugal não lhe siga o exemplo!!!

Manuela Niza Ribeiro
Presidente do Sindicato dos Funcionários do SEF e professora universitária

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