Diversificação económica

A Região Autónoma da Madeira apesar de ser uma região desenvolvida e integrar a União Europeia, parece ao longo das últimas décadas querer apostar e desenvolver quase exclusivamente o turismo descurando muitos dos outros ramos de atividade. A aposta vincada neste setor faz com que a economia da região possa sofrer um forte impacto negativo decorrente de causalidades externas como foi o caso da pandemia.

Nesta época de veraneio, a chamada silly season, é oportuno fazer uma pequena reflexão sobre a composição da economia madeirense. Observando os mais recentes dados da Direção Regional de Estatística da Madeira sobre o Valor Acrescentado Bruto por ramo de atividade antes da pandemia, verifica-se que cerca de 32% do Produto Interno Bruto Regional (PIBR), resulta de atividades de comércio, alojamento e restauração, tradicionalmente de baixo valor acrescentado, e que cerca de 27% do PIBR deriva da atividade da função pública, não produtiva. Assim quase 60% da economia madeirense corresponde a estes dois ramos de atividade. Segue-se a consultoria (8%), a indústria (6%), e os restantes ramos de atividade a apresentarem pesos residuais no PIBR. A agricultura e pescas nem chega a representar 2%.

Na teoria económica é sempre aconselhada a diversificação de atividades económicas ou de investimentos de forma a minimizar o risco de alguma dessas atividades falhar, o que vai de encontro àquela velha sabedoria popular de “que não se deve meter os ovos todos do mesmo cesto”.

A não diversificação de uma economia é um fenómeno muito usual em países de terceiro mundo que procuram apenas desenvolver aquela atividade ou setor que lhes é mais vantajoso, normalmente relacionada com a extração de combustíveis fósseis.

A Região Autónoma da Madeira apesar de ser uma região desenvolvida e integrar a União Europeia, parece ao longo das últimas décadas querer apostar e desenvolver quase exclusivamente o turismo descurando muitos dos outros ramos de atividade. A aposta vincada neste setor faz com que a economia da região possa sofrer um forte impacto negativo decorrente de causalidades externas como foi o caso da pandemia.

Importa diversificar a economia noutras áreas em que a região consiga ter vantagens comparativas face a outras geografias. A condição geográfica do arquipélago faz com que a economia do mar tenha potencial para ser uma dessas outras áreas a apostar, nomeadamente com a pesca industrial, indústria conserveira, que já existiu na região, viveiros, ou até utilizar o mar para produzir energias renováveis; a agricultura com a produção de frutos exóticos para exportação apostando na qualidade em vez da quantidade; ao nível dos serviços a atração de empresas tecnológicas por via da competitividade fiscal, com vista à integração de recursos humanos locais qualificados, de forma a atenuar a necessidade de emigração em busca de novas oportunidades, que muitos madeirenses sentem na pele.

Esta é apenas uma reflexão, daquilo que a economia madeirense poderia ser, mas não é, porque atualmente é praticamente só turismo e função pública.

Existe contudo um fator preponderante para esta diversificação económica e que o governo regional teima em não resolver. Falo das acessibilidades, as marítimas com transporte de carga e passageiros a preços competitivos, cujo ferry prometido em 2015 pelo governo regional não passou disso mesmo, uma promessa vaga, e as acessibilidades aéreas com a melhoria da operacionalidade do aeroporto da Madeira, para proporcionar um melhor escoamento de mercadorias e uma melhoria no fluxo de passageiros entre a ilha e outros pontos da Europa.

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