Dívida. Financiamento à mais baixa taxa de sempre

Foram quase mil milhões de euros colocados no mercado numa operação com maturidades de três e 11 meses.


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Portugal concretizou esta quarta-feira um leilão duplo de Bilhetes do Tesouro, com vencimentos a 3 e 11 meses.

Os 998 milhões de euros captados estão no topo do intervalo indicativo entre os 750 milhões e os mil milhões de euros, o que demonstra a procura dos investidores por rendimento, por mais baixo que possa parecer, explicas Steven Santos, gestor do Banco Big.

De acordo com este analista, “os resultados positivos revelam que os investidores mantêm o interesse nos títulos de dívida nacional, apesar de a subida esperada nas taxas de juro nos EUA dever afectar o preço dos instrumentos de rendimento fixo”.

Steven Santos acrescenta que “0 mercado de futuros desconta uma probabilidade de 78% para uma subida de 0,25% na Fed funds rate na declaração agendada” para esta quarta-feira à tarde. “De resto, os juros exigidos a 10 anos estavam a cair hoje 1% no mercado secundário de dívida, o que fazia prever um resultado favorável no duplo leilão de hoje, acrescenta o analista do Banco BIG.

Na opinião de Steven Santos, “a antecipação das compras de dívida pelo BCE, que serão suspensas entre segunda-feira e 4 de janeiro devido à menor liquidez no período festivo, contribuiu para o resultado positivo alcançado pelo IGCP”.

Leilão de 16 de dezembro de 2015
BT 3 meses (com data de vencimento em março de 2016):
Taxa: -0,023% (tx negativa, mínimo histórico)
Montante: 248 milhões de euros
Procura: 3,3 vezes superior à oferta
BT a 11 meses (com data de vencimento em novembro de 2016):
Taxa: 0,03% (não foi mínimo histórico)
Montante: 750 milhões de euros
Procura: 1,87 vezes a oferta
Fonte: IGCP/Banco Carregosa

Na linha a três meses, a taxa de juro exigida baixou de -0,021% para os -0,023%, “com o aumento ligeiro na procura a conduzir a juros em terreno ainda mais negativo e a um novo recorde histórico”, explica Steven Santos. “Apesar de o IGCP ter obtido uma taxa ainda mais negativa na maturidade curta, voltar a captar financiamento a juros negativos não era uma condição indispensável para a operação ser bem-sucedida. O objetivo deste leilão duplo era substituir os títulos de curto prazo próximos da maturidade, como os 842.622 milhões de euros que vencem já na sexta-feira”, assinala Steven Santos.

Na linha a 11 meses, o juro médio exigido subiu dos 0,006% alcançados na emissão de 21 de Outubro para 0,03%, rondando a taxa zero. “A maior fatia da operação (750 milhões de euros) foi colocada novamente nesta linha”, detalha o analista do Banco Big.

“O momento escolhido para esta operação foi oportuno, na medida em que só a Grécia emitiu títulos esta manhã, colocando Bilhetes do Tesouro a três meses com um custo de 2,7%. De resto, Portugal não enfrentou a concorrência doutros países periféricos que pudesse atrair a atenção dos investidores, numa manhã calma no mercado europeu de dívida soberana”.

Para Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa,  “As operações correram dentro do que vem sendo a normalidade: continuamos a ser suportados pelo BCE e pelo seu programa de compra de ativos. À conta disso, Portugal anda há um ano a financiar-se a taxas que de outro modo seriam impossíveis de conseguir”.

O diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa acrescenta que “resta-nos aproveitar esta fase para refinanciar a dívida pública a taxas mais baixas, num dos casos, a 3 meses, com a taxa mais baixa de sempre. O montante emitido foi de perto de mil milhões de euros, dentro também do que é habitual.”

Finalmente, Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal,  considera que os quase mim milhões de euros colocados não trazem nada de novo. “Taxas de juro negativas, as mais baixas de sempre, no prazo mais curto e muito próximas de zero na maturidade de 11 meses”.

O analista da XTB sublinha que “o Estado português consegue assim poupar nos juros de dívida, que paga pelo financiamento da República. Portugal, enquanto economia periférica, continua a beneficiar da intervenção do Banco Central Europeu, que mensalmente compra títulos de dívida aos bancos no mercado secundário”.

Pedro Ricardo Santos chama a atenção para o ligeiro aumento da taxa a 11 meses. “Os investidores demonstram assim alguma preocupação, comparativamente à operação de Novembro, com as recentes cedências do PS aos partidos de esquerda parlamentar nas negociações relativas à redução da taxa extraordinária, numa altura em que decorre a concertação social para aumento do salário mínimo. Ainda assim, assinala-se o facto de Portugal continuar a merecer a confiança dos investidores demonstrada através do rácio bid/cover”.

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