Dívida global da Madeira aumenta 379 milhões de euros no terceiro trimestre

O Governo da Madeira, de coligação PSD/CDS-PP, defende na mesma nota que os valores da dívida apresentados “refletem uma trajetória marcada por um processo de ajustamento contínuo e consistente, reflexo da sustentabilidade das finanças públicas da região.

Homem de Gouveia / Lusa

A dívida global da Madeira situava-se, em 30 de setembro, nos 5.688 milhões de euros, mais 379 milhões face ao período homólogo devido à pandemia de covid-19, revelou esta sexta-feira o Governo Regional.

Em comunicado divulgado na véspera de Natal, a secretaria regional das Finanças salienta que, comparativamente a setembro do ano passado, a dívida global da Madeira aumentou este ano “379 milhões de euros, em consequência da pandemia da doença covid-19, na sequência da qual a Região Autónoma da Madeira contraiu, em novembro de 2020, um empréstimo destinado especificamente à cobertura de necessidades excecionais de financiamento, decorrentes direta ou indiretamente dessa circunstância”.

Ressalva, porém, que se ao valor de 5.688 milhões de euros for excluída a verba deste empréstimo, “o valor da dívida global da Administração Pública Regional passa a 5.199 milhões de euros, mantendo-se deste modo a trajetória evidenciada nos últimos anos”.

Por outro lado, a secretaria das Finanças indica que “os dados mais recentes referentes à dívida pública mostram que o rácio da dívida em relação ao PIB deteriora na RAM [Região Autónoma da Madeira], devido à atualização do valor estimado do PIB para 2020 — e que tem já em conta o impacto da pandemia do covid-19 na economia regional”.

“Contudo, o rácio da dívida em relação ao PIB continua a ser inferior na RAM em comparação com o país. Efetivamente, no terceiro trimestre de 2021, o rácio da dívida era de 111,3% na região, enquanto ao nível do país o mesmo ascendia a 130,5%”, acrescenta.

O Governo da Madeira, de coligação PSD/CDS-PP, defende na mesma nota que os valores da dívida apresentados “refletem uma trajetória marcada por um processo de ajustamento contínuo e consistente, reflexo da sustentabilidade das finanças públicas da região, que foi interrompida em virtude dos efeitos da pandemia da doença covid-19, na economia regional e devido à necessidade de serem tomadas medidas para mitigar esses efeitos”.

O executivo destaca ainda que a dívida atual, de 5.688 milhões de euros, representa uma diminuição de 949 milhões de euros em relação ao final de 2012, na sequência do apuramento de uma dívida pública da região autónoma de 6,3 mil milhões de euros.

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