Dívida portuguesa. Juros passam de negativos para mais de 1% no espaço de quatro meses

Portugal está a pagar mais nos mercados para se financiar.

Portugal foi aos mercados buscar 1.250 milhões de euros em dívida de curto prazo, mas teve de pagar juros mais altos. No caso da dívida a seis meses, as taxas de juro passaram de negativos para mais de 1% em apenas quatro meses.

Nos Bilhetes do Tesouro a seis meses, o país vai ter de pagar uma taxa de juro de 1,291%, tendo-se financiado em 440 milhões de euros. A procura superou em 2,92 vezes a oferta. Em maio, Portugal tinha emitida esta dívida com uma taxa de -0,179%.

Já nos BT a 12 meses, Portugal pagou uma taxa de 1,916%, num montante de 810 milhões de euros, com a procura a superar a oferta em 1,55 vezes. Há quatro meses, esta dívida tinha registado uma taxa de juro de 0,236%.

“Os bancos centrais continuam com políticas monetárias agressivas, numa tentativa de travar a inflação, quando ao mesmo tempo tentam suavizar o impacto na economia. As subidas de taxas têm sido globalizadas e a ritmos sem precedentes, elevando os custos de financiamento das novas emissões que chegam ao mercado”, disse Filipe Silva do Banco Carregosa.

“Portugal tem assistido a uma subida das taxas em todas as maturidades, por força deste movimento, no entanto o spread da dívida nacional versus a Alemanha tem estado estável, e a refletir o bom momento que a economia tem vivido. A era e juros negativos chegou ao fim e o custo do serviço da dívida vai continuar a aumentar, no entanto se os Bancos Centrais conseguirem os seus objetivos, as subidas abruptas que temos assistido irão suavizar a prazo”, segundo o analista.

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