Dívida pública elevada mantém África subsaariana com perspetiva negativa

A agência de notação financeira Fitch Ratings disse hoje que a Perspetiva de Evolução dos ratings dos países da África subsaariana é negativa devido ao impacto do peso da dívida na avaliação da qualidade do crédito soberano.

Reinhard Krause/Reuters

“A Fitch Ratings antevê que depois de uma forte subida em 2020, a dívida pública vá continuar numa trajetória ascendente, num contexto em que as pressões sociopolíticas e as urgentes necessidades de financiamento vão abrandar os esforços de consolidação orçamental”, lê-se numa análise às economias desta região africana.

No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, esta agência de rating detida pelos mesmos donos da consultora Fitch Solutions, lê-se que “a maioria dos países da região vai ver o crescimento económico acelerar em 2021, mas a relativa resiliência da região ao novo coronavírus em 2020 significa que a recuperação vai ser menos pronunciada que noutras regiões”.

Para além disso, apontam, “com o reiniciar da consolidação orçamental, as políticas orçamentais vão dificultar o crescimento na maior parte dos países, com as economias mais diversificadas a conseguirem taxas de crescimento robustas, e os países exportadores de petróleo a terem um desempenho abaixo do potencial, refletindo a escassez de moeda externa”.

Sete dos 19 países analisados pela Fitch Rating na região têm uma Perspetiva de Evolução (outlook) Negativa, enquanto cinco estão classificados com a nota CCC, que implica a não atribuição de uma tendência para o futuro, afirmam os analistas, explicando que “isto aponta para um elevado risco de mais degradações no rating, depois de um número recorde de ações semelhantes este ano”.

A Costa do Marfim é o único país analisado pela Fitch que tem uma avaliação positiva, enquanto Angola e Moçambique têm um rating de CCC e Cabo Verde está na categoria B-, todos abaixo da recomendação de investimento.

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