Dívida pública portuguesa a 10 anos ultrapassa os 3% e aumenta prémio de risco

O spread entre os títulos do Tesouro alemão a dez anos, que funciona como um barómetro do risco financeiro na zona euro, tem vindo a disparar sobretudo nos países periféricos.

Os juros da dívida pública portuguesa estão nos 3,02% a subirem 2,64 pontos base face ao fecho da sessão de ontem, segunda-feira. É a primeira vez que a dívida soberana nacional supera os 3% desde 2017. Não pára de subir o retorno exigido pelos investidores para comprarem Obrigações do Tesouro.

O prémio de risco (spread) face ao benchmark que é a dívida alemã a 10 anos, continua a escalar e está nos 136 pontos base.

A Alemanha tem os juros soberanos a 10 anos a subirem 2,37 pontos base para 1,66%.

A dívida espanhola no mesmo prazo também superou os 3% e está com uma yield igual à portuguesa no mercado secundário, sendo que no caso espanhol os juros não subiam acima dos 3% desde 2014, segundo o El Economista.

Em Itália, a dívida a 10 anos dispara 4,7 pontos base para 4,06%.

“Os aumentos futuros das taxas de juros na Europa podem causar problemas de pagamento de dívidas para países periféricos que têm grandes taxas de dívida em relação ao PIB”, explicam os analistas citados pelo site espanhol.

O BCE encontra-se sobre pressão crescente para subir as taxas de juro na zona euro pela primeira vez em onze anos, dada a inflação em níveis recorde.

O Banco Central Europeu (BCE) mostrou esta quinta-feira um “compromisso” firme para evitar uma fragmentação no mercado obrigacionista, assegurando que utilizará todos os meios ao seu dispor, sem especificar quais, para impedir que a rentabilidade dos países da UE que estão na periferia dispare em relação à dos países do centro da Europa, como aconteceu em 2011 ou 2012, quando as yields dos títulos periféricos (Portugal, Espanha e Itália) dispararam para mais de 7% contra 2% do alemão. Mas, por enquanto, esta promessa não foi suficiente para impedir a subida dos juros soberanos.

Na semana passada era notícia que o conselho de administração do banco central deverá apoiar a criação de um programa de compra de títulos caso a dívida de alguns países como Itália seja sujeita a grandes pressões com a subida dos juros.

O spread entre os títulos do Tesouro alemão a dez anos, que funciona como um barómetro do risco financeiro na zona euro, tem vindo a disparar sobretudo nos países periféricos.

O aumento do spread também afecta a situação líquida dos bancos que têm os títulos na sua carteira de ativos.

 

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