Dividendos do Banco de Portugal? Centeno prevê “redução muito substancial”

“A previsão que temos neste momento é de que haverá uma redução muito substancial do que possam ser dividendos do Banco de Portugal nos próximos anos”, sublinhou o governador, Mário Centeno.

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, prevê que haverá uma “redução muito substancial” dos dividendos pagos pelo banco central nos próximos anos.

“Os bancos centrais, a nível mundial, têm vindo a registar uma erosão na sua geração de resultados em virtude da alteração da política monetária”, referiu na apresentação do relatório de estabilidade financeira para novembro.

Perante isto, “o custo de financiamento dos bancos centrais”, em virtude das taxas de juro negativas nos últimos anos e da alteração repentina das taxas de juro, é hoje “mais onoroso do que o retorno dos ativos dos bancos centrais e isso gera pressão sobre os resultados”, disse Centeno, notando que “muitos bancos centrais vão ter resultados negativos em 2022”.

“Este não será o caso do Banco de Portugal, mas esta pressão vai manter-se durante mais alguns anos e a previsão que temos neste momento é de que haverá uma redução muito substancial do que possam ser dividendos do Banco de Portugal nos próximos anos”, sublinhou o governador.

Mário Centeno referiu ainda que os lucros gerados “é o resultado da expansão do balanço em sequência das medidas adotadas nas últimas crises”. Mas que a “inversão rápida das taxas de juro” vai ter um impacto na capacidade de gerar resultados.

Na apresentação do relatório, o Banco de Portugal apontou quais os principais riscos para o sistema financeiro, nomeadamente a inflação elevada, rápida subida dos juros mas também abrandamento da economia, bem como a possibilidade de vir a registar-se uma quebra no mercado imobiliário.

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