Divulgação do programa Consolidar do PRR podia ser mais rápida e sequencial, diz APCRI

O sócio fundador da Vallis sugeriu, por exemplo, que 100 dos 250 milhões de euros do programa pudessem desde já estar aprovados (as candidaturas fecharam em fevereiro) e passar à fase da implementação.

A Associação Portuguesa de Capital de Risco defende que a divulgação dos resultados programa Consolidar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), destinado ao setor, podia ser mais rápida e também sequencial, disse hoje à Lusa o seu presidente.

“Acredito que podia ter sido um pouco mais rápido, nem que não fosse num anúncio sequencial”, disse à Lusa Luís Santos Carvalho, falando na hipótese de haver propostas “com tanto mérito” que já estivessem aprovadas.

O sócio fundador da Vallis sugeriu, por exemplo, que 100 dos 250 milhões de euros do programa pudessem desde já estar aprovados (as candidaturas fecharam em fevereiro) e passar à fase da implementação.

Em causa está o programa Consolidar, cuja aprovação cabe ao Banco Português de Fomento (BPF), que tem uma dotação de 250 milhões de euros para fazer face a perdas durante a pandemia de Covid-19, mas verá o valor reforçado “para um montante significativamente superior”, disse na quinta-feira, no parlamento, a presidente executiva do BPF, Beatriz Freitas.

A responsável do BPF, em resposta ao deputado do PSD Jorge Mendes na audição na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, afirmou que os resultados das candidaturas serão conhecidos até ao final do mês.

Apesar de apelar a um processo mais rápido, Luís Santos Carvalho reconheceu que “os processos têm de ser analisados com bastante cuidado, até para se evitarem alguns erros do passado”.

“Isso implica que haja uma ‘due diligence’ [diligência prévia] das propostas, uma análise cuidada”, no sentido de “saber quem está por trás” dos investimentos, “para se ter confiança de que irão executar as estratégias”.

Para o responsável da associação do setor português do capital de risco “urge que a decisão seja tomada até 30 de setembro”, já que depois “há sempre um tempo que é necessário” para implementar os projetos.

“Eventualmente nalguns casos poderá ser mais rápido, para casos em que os fundos já existam, mas poderá haver casos em que os fundos ainda não existam, tendo alguns compromissos de investidores privados que vão entrar, mas as coisas só irão avançar quando houver essa clareza”, disse à Lusa.

Luís Santos Carvalho estimou que “até ao final do ano” os projetos possam estar operacionais.

Já questionado acerca do reforço do programa Consolidar, a APCRI ouviu-o “com muito bom grado”, já que reforça o programa que “irá permitir dinamizar o setor e a indústria” do capital de risco em Portugal.

“Havendo um aumento, consegue-se aumentar a massa crítica disponível, e eventualmente, se há alguns dos projetos que não foram até agora selecionados, poderão vir a sê-lo”, disse à Lusa.

O BPF anunciou, em 18 de fevereiro passado, que o programa Consolidar recebeu 33 candidaturas, submetidas por sociedades de capital de risco e sociedades gestoras de capital de risco, no montante global superior a 1.300 milhões de euros de investimentos para a constituição de fundos de capital de risco com uma dotação agregada superior a 3.100 milhões de euros

O programa conta com 250 milhões de euros destinados à consolidação de Pequenas e Médias Empresas (PME) afetadas pela pandemia da covid-19 e à sua expansão para novas áreas de negócio, e implica a mobilização mínima de 30% de capital por parte de cada intermediário financeiro privado, como sociedades de capital de risco.

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