Diz-me o que lês e dar-te-ei mais sugestões de leitura…

Eis algumas sugestões para desfrutar num sofá confortável, com a temperatura amena que uma manta sempre traz, e que nos levam a esquecer o tempo e a viajar por universos paralelos. Boas leituras!

Adaptar adágios poderá não ser o mais ajuizado quando se trata de fazer sugestões de leitura, especialmente quando os próximos dias anunciam chuva, vento e frio. Até porque a leitura é impermeável ao mau tempo e, também, aos adágios. Bem como aos gostos, que se discutem, bem entendido. Até porque se devem manter janelas abertas para que a curiosidade desbrave temáticas, autores, ambientes que ainda estão por explorar. Na companhia de um chá ou café fumegante, e uma manta macia e quente, até os menos intrépidos se poderão transformar em destemidos aventureiros…

Antónia Pusich – Uma Mulher Invulgar, Maria de Lurdes Caldas (Minotauro)

A extraordinária biografia da primeira mulher a dirigir um jornal em Portugal, nascida há mais de duzentos anos, numa remota ilha de Cabo Verde. Os caprichos de um império andarilho e os entusiasmos ideológicos de um reino que se queria liberal, constitucional e regenerado projetaram-na para a capital da monarquia. Conquistou Lisboa em meados do século XIX, ao responder aos desafios que irrompiam na sua vida com enorme vigor e tenacidade. O inconformismo perante a mediocridade do destino reservado ao seu sexo impeliu-a a fazer da imprensa a sua tribuna, tornando-se a primeira mulher a fundar, possuir e dirigir jornais em Portugal.

Dentro do Segredo – Uma Viagem na Correia do Norte, José Luís Peixoto (Quetzal)

Sem acesso a telefones ou Internet e com grande parte do território inacessível a viajantes, a Coreia do Norte abriu portas a um pequeno grupo de convidados para assistir às exuberantes comemorações do centenário de nascimento de Kim Il-sung, em 2012. José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nesta aventura e, para celebrar os dez anos deste “feito”, a Quetzal publica uma nova edição deste bestseller, com capa dura e fotografias da autoria do escritor e nunca antes divulgadas.

As Grandes Cartas de Amor (Guerra e Paz)

De Virginia Woolf a Beethoven, de Napoleão a Karl Marx. Conheça algumas das mais comoventes, eufóricas, apaixonadas e sofridas cartas de amor da História, no livro “As Grandes Cartas de Amor”Organizada pela Guerra e Paz Editores, com coordenação de Elizabete Agostinho, a obra reúne 51 cartas que reis, romancistas e até ditadores escreveram a quem lhes roubou o coração. Nesta obra, cabem todos os tipos de declaração: do amor sereno ao êxtase, do amor proibido ao amor não correspondido, do cortejo à rutura, da despedida à saudade. Cabem até triângulos amorosos, como o de Lord Byron, Caroline Lamb e Teresa Guiccioli, entre outros “ensaios” sobre este tema escaldante.

História Crítica do Pensamento Político – Da polis ao socialismo revolucionário Vol. I”, Joaquim Jorge Veiguinha (Edições 70)

De que estamos a falar quando falamos de política? Para Joaquim Jorge Veiguinha, política é a tentativa de construir uma ordem imanente e inclusiva em que, apesar dos nossos conflitos e divergências, possamos tolerar-nos reciprocamente, pois não é possível que neste mundo todos nos amemos uns aos outros. Da Grécia Antiga a Habermas, esta monumental História Crítica do Pensamento Político em dois volumes tem como cenário não um pretenso fim da História, mas um estado de livre interação dos indivíduos em que cada um contribui para o aperfeiçoamento dos outros e recebe destes também o contributo para o seu próprio aperfeiçoamento.

Os Otomanos, Marc David Baer (Temas e Debates)

Nesta obra, o autor norte-americano convida o leitor a ver os 500 anos do Império Otomano como parte inseparável da história da Europa, ou seja, não estando isento de relações com o Ocidente. Na verdade, os otomanos partilharam muitos aspetos do desenvolvimento religioso e político europeu que durante muito tempo foram atribuídos apenas aos europeus ocidentais. Reconhecer o papel dos otomanos na história europeia permite alargar o significado dessa história. A estrutura de “Os Otomanos” vai alternando entre capítulos com acontecimentos históricos e capítulos que abordam questões culturais.

Chuva miúda, Luis Landero (Porto Editora)

Gabriel decide celebrar o octogésimo aniversário da mãe e, para isso, terá de contactar as irmãs a fim de reunir a família para a feliz ocasião. Todavia, estes telefonemas entre irmãos despertam rancores antigos, relembram erros do passado e põem em confronto diferentes visões do mesmo episódio. Aurora, a discreta mulher de Gabriel, é a confidente pela qual passam todas as histórias que durante anos estiveram guardadas no mais fundo de cada uma das personagens. Luis Landero, galardoado em 2022 o Prémio Nacional das Letras Espanholas, é considerado um dos nomes essenciais da literatura espanhola. Este é o seu mais recente livro traduzido para português.

Alimentação, Natureza e Paisagem”, coord. Maria Manuel Valagão (Tinta da China)

Com coordenação de Maria Manuel Valagão, grande especialista em gastronomia portuguesa, e fotografias originais de Vasco Célio, esta obra explora o papel das plantas silvestres alimentares, aromáticas e medicinais quer na identidade alimentar quer na conservação da biodiversidade. Num tempo em que é inadiável proteger os ecossistemas, “Alimentação, Natureza e Paisagem” da autoria de três cientistas – Maria Elvira Ferreira e José António Passarinho juntam-se à coordenadora da obra – transpõem a sua longa experiência em projetos de conservação da flora espontânea, para oferecer ao leitor um misto de conhecimentos da cultura erudita e do património oral, homenageando assim as gentes que têm sabido preservar os saberes da tradição: desde a conservação de espécies e alimentos às práticas culinárias, sem esquecer a importância da simplicidade e da frugalidade a que é imperioso regressar.

O outro nome, Jon Fosse (Cavalo de Ferro)

Mais um ano está a findar, e Asle, um velho pintor viúvo e solitário, está parado defronte da sua última tela. Interroga-se se estará pronta, se gosta dela ou se a levará juntamente com as outras treze obras que preparou para a sua próxima exposição em Bjørgvin. É o início de uma longa meditação sobre o seu passado de jovem pintor sem dinheiro, a relação com Ales, a sua falecida mulher, e a conversão tardia ao catolicismo. Porém, existe um outro Asle, tão real quanto aquele, também ele pintor, também ele solitário, mas dependente do álcool. Duas histórias de vida que se cruzam, pela pluma do autor norueguês Jon Fosse, que com este livro inaugura o seu mais recente projeto romanesco.

 

Cão como nós, Manuel Alegre (Dom Quixote)

Vinte anos depois da primeira edição, eis que Kurika, um Épagneul-Breton com manchas castanhas e uma espécie de estrela branca no meio da cabeça, o cão de Manuel Alegre, regressa às livrarias numa nova edição. O cão que arrebata as páginas deste livro era aquele que o acompanhava para todo o lado, nas idas à caça ou em simples passeios, bicho rebelde, desobediente e caprichoso. O cão que não queria ser cão, queria ser como nós. O cão que o autor transformou em personagem principal de uma história onde estão presentes os conceitos da solidariedade, da lealdade e do afeto.

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