Do ‘Bremain’ à bitcoin: o que aconteceu aos ‘cisnes negros’ de 2017?

No final de cada ano, os analistas do Saxo Bank costumam apresentar uma lista de ‘cisnes negros’, ou seja, eventos improváveis, mas que, a concretizarem-se, têm um forte impacto no mercado no ano seguinte.

Paulo Whitaker/Reuters

Os ‘cisnes negros’ para 2018 já são conhecidos e entre os do ano passado, nem tudo foi mentira. Eram os seguintes:

1. Crescimento de 8% no PIB chinês e bolsa de Xangai nos 5.000 pontos

O primeiro cenário prendia-se com a abertura dos mercados de capitais na China como transição para uma economia focada no consumo. Apesar da mudança não ser totalmente falsa, a previsão de produto interno bruto (PIB) anual para o país da OCDE é de 6,8%, enquanto o índice de Xangai negoceia nos 3.267 pontos.

2. Fed adota controlo da curva de rendimentos semelhante ao Japão

A necessidade de a Reserva Federal fixar as yields das Treasuries a 10 anos em 1,5% estaria relacionado com um disparo dos juros para 3%, pânico no mercado e início da quarta ronda de quantitative easing (QE). Nada disto se concretizou. Os juros da dívida benchmark nos EUA próximos de 2% e a Fed já iniciou a redução da folha de balanço para eliminar os ativos adquiridos nos programas de QE.

3. Incumprimento nas obrigações corporativas dispara para 25%

As empresas dos Estados Unidos terminaram 2016 com uma taxa média de incumprimento das obrigações empresariais abaixo de 4% e longe dos 12% durante a crise, em 2009. No entanto, os estímulos orçamentais levariam a um disparo das taxas de juro e a um incumprimento de 25%. O cenário não se concretizou e o sentimento empresarial nos Estados Unidos tem sido impulsionado pela expetativa em relação à reforma fiscal no país.

4. Bremain em vez de Brexit

A União Europeia ficaria preocupada com o aumento do populismo, adotaria uma postura diferente em relação ao Reino Unido e as conceções levariam a que o Reino Unido mudasse de ideias e fica-se na UE. Claramente, não foi esse o cenário.

5. Valor do cobre afunda

As promessas de grandes despesas públicas em infra-estruturas da Administração Trump, que fez disparar o preço do cobre, não seriam cumpridas. A desilusão do mercado levaria a uma queda do valor da matéria-prima para mínimos de 2009. Trump não está a ter facilidades em cumprir as promessas eleitorais, mas o valor do cobre já subiu 25% este ano para próximo de 3,146 dólares e longe dos 2,372 dólares médios em 2009.

6. Bitcoin dispara e afasta-se das outras criptomoedas

Familiar? Este é o cenário mais próximo da realidade, mas nem tudo foi verdade. Na conceção do Saxo Bank, a valorização da bitcoin estaria relacionada com um aumento do défice orçamental para mais do dobro, levando a uma inflação imparável e efeito dominó nos mercados emergentes. Um pormenor: na altura, o disparo do valor da bitcoin (que já ultrapassou os 20 mil dólares) era considerado se chegasse aos 2.100 dólares.

7. Pânico nos Estados Unidos devido à reforma na saúde

Nem reforma nem pânico. A ideia dos analistas era que os os gastos com saúde nos EUA subissem para 17% do PIB, enquanto a população sem capacidades para fazer face aos custos médicos se tornaria cada vez maior. Apesar de Trump ter tentado revogar a legislação implementada pela anterior administração, a incapacidade de apresentar um novo programa de saúde deixou o plano em suspenso.

8. Recuperação do peso mexicano

Este é outro cenário que não está longe da realidade. Depois da eleição de Donald Trump nos EUA, o México tornou-se um dos primeiros alvos (incluindo a suposta construção de um muro entre os dois países). Na altura, o Saxo Bank indicava como improvável que o mercado tivesse sobrestimado o impacto de Trump no México, mas a realidade é que o peso mexicano acabou por sair de destaque, tendo registado este ano uma valorização de 7% face ao dólar.

9. Bancos italianos valorizam mais de 100%

A crise da banca europeia, em especial em Itália, levaria a um resgate bancário alemão apoiado pela UE. Os bancos italianos iria beneficiar de uma recapitalização pelo novo Banco Europeu de Malparado (que nunca aconteceu). Os problemas da banca em Itália perderam algum gás, mas o índice FTSE Italia Banche, que reúne os maiores bancos do país, valorizou 16% este ano.

10. UE lança Eurobonds para estimular crescimento

A emergência de partidos populistas na Europa, que era um dos principais riscos no final do ano passado mas foi perdendo destaque ao longo do ano, levaria a distanciamento das políticas de austeridades pelos partidos tradicionais e favorecimento de políticas keynesianas. Para estimular o crescimento, a União Europeia lançaria um programa de emissão de 630 mil milhões de euros em Eurobonds, especialmente direcionadas para as infra-estruturas, o que também não aconteceu.

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