Do jornalismo e dos diamantes

Queremos ser um jornal com pendor institucional, mas não um órgão reverente; um jornal de referência e não uma caixa de ressonância. Assumimos por isso o compromisso de servir os nossos leitores com informação isenta e rigorosa. E útil.

O jornal que hoje chega às mãos dos nossos leitores resulta de uma evolução da marca “Oje”, cuja equipa foi reforçada por mais de 30 jornalistas, comerciais, técnicos e outros profissionais vindos do antigo “Económico” e de outros jornais de referência. É uma equipa composta por pessoas que acreditam no jornalismo e no seu papel enquanto pilar fundamental de uma sociedade democrática e plural. E o compromisso que assumimos perante os nossos leitores é este: tudo faremos para oferecer informação útil, de forma isenta, rigorosa e sem qualquer dependência económica, política ou ideológica. Bem como opinião livre, plural e diversificada.

Isto porque queremos ser um jornal com um pendor institucional, mas não um órgão reverente; um jornal de referência e não uma caixa de ressonância dos diferentes poderes. E no Jornal Económico as notícias são notícias: não se confundem com a opinião, nem se diluem na designação genérica de “conteúdos”.

Numa era de transição acelerada e de dificuldades generalizadas no negócio da comunicação social, com as margens cada vez mais esmagadas e as redacções a emagrecerem de dia para dia, esta posição de princípio poderá parecer algo ‘naïf’. A algumas mentes mais pragmáticas, poderá até parecer infantil alguém pretender, em pleno século XXI, que o jornalismo deva procurar ser isento; afinal os jornalistas são seres humanos e, logo, falíveis, recordam-nos esses espíritos avisados e experientes.

Mas a verdade é que, apesar das mudanças tecnológicas e das novas formas de fazer jornalismo e de contar estórias, o valor das marcas de informação reside ainda na sua credibilidade. Sem credibilidade, os jornais servem apenas para polir janelas, para não falar de fins menos nobres. Na era das redes sociais e dos “johns stewarts”, os jornalistas são essenciais porque são eles que atribuem à informação o selo de qualidade que as pessoas procuram.

Os jornalistas são falíveis, claro, mas é muito mais credível quem visa cumprir um ideal de isenção e independência do que quem não o faz. E os leitores não são estúpidos.

O desafio do negócio dos jornais não está em serem ou não necessários, mas em encontrar novas formas de se tornarem rentáveis. O paradoxo da água e do diamante, enunciado por Adam Smith, encaixa nesta reflexão: sendo a água um bem tão útil, porque é tão barata? Enquanto o diamante, sendo um artigo supérfluo, é tão valioso? A resposta é que a água tem uma elevada utilidade total, mas, sendo um bem abundante, que se consome diariamente com relativa facilidade, acaba por ter reduzida utilidade marginal. Por sua vez, o diamante não tem grande utilidade total, mas, sendo um artigo raro e que não se encontra todos os dias, tem elevada utilidade marginal.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos conteúdos jornalísticos. Embora seja extremamente útil, como é abundante e com reduzido valor acrescentado, em muitos casos a informação acaba por ter reduzida utilidade marginal. Mas isso também significa que quanto mais exclusivos, credíveis e relevantes forem os conteúdos jornalísticos, mais valerão. No Jornal Económico, não podemos oferecer diamantes aos nossos leitores, mas tudo faremos para lhes disponibilizar informação, análise e opinião valiosas.

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