Documentário da realizadora Laura Poitras vence Leão de Ouro do Festival de Veneza

O filme “All the Beauty and the Bloodshed”, da realizadora norte-americana Laura Poitras, conquistou hoje o Leão de Ouro de melhor filme, prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza, anunciou a organização na cidade italiana.

Nesta 79.ª edição, que hoje encerra, o documentário, que narra a vida e o ativismo da fotógrafa norte-americana Nan Goldin contra empresas farmacêuticas ligadas à produção de opioides, levou a preferência do júri presidido pela atriz norte-americana Julianne Moore.

A longa-metragem, que apresenta a luta da fotógrafa, que cumpre 69 anos na segunda-feira, para livrar-se da dependência gerada pelos medicamentos que tomou na sequência de um tratamento, e o ativismo que lhe seguiu, ao lado de milhares de outras vítimas, obteve vantagem face aos outros 22 filmes em competição, como “Blonde”, de Andrew Dominik, com Ana de Armas no papel de Marilyn Monroe.

O Leão de Prata, Grande Prémio do Júri foi para “Saint Omer”, da realizadora francesa Alice Diop, filme que também recebeu o Leão do Futuro, atribuído a uma primeira obra.

Uma grande ovação, de pé, dos espetadores do auditório da cerimónia dos galardões, em Veneza, saudou o anúncio do Prémio Especial do Júri para o filme “No Bears,”, do realizador iraniano Jafar Panahi, que se encontra detido no seu país, não podendo estar presente.

Por seu turno, o Leão de Prata de Melhor Realizador foi para o italiano Luca Guadagnino, por “Bones and All”, enquanto a Osella de Ouro de Melhor Argumento foi entregue a Martin McDonagh, por “The Banshees of Inesherin”, filme em que o desempenho da atriz Taylor Russell lhe valeu o Prémio Marcelo Mastroianni para um ator ou atriz emergente.

Ainda nas interpretações, a Taça Volpi de Melhor Ator foi entregue a Colin Farrel, por “The Banshees of Inesherin,” de Martin McDonagh, e a Taça Volpi de Melhor Atriz foi para Cate Blanchett, por “Tár,” de Todd Field.

Na secção paralela Horizontes, o júri presidido por Isabel Coixet atribui o Prémio de Melhor Filme a “War War III,” de Houman Seyyedi.

Na sexta-feira, a organização tinha anunciado que o filme “Lobo e Cão”, da realizadora portuguesa Cláudia Varejão, conquistou o prémio principal da competição paralela do festival “Dias dos Autores”.

“Lobo e Cão” foi rodado em São Miguel, nos Açores, onde a realizadora Cláudia Varejão tinha estado em 2016, em residência artística, no Pico do Refúgio.

Aquele espaço, situado em Rabo de Peixe, proporcionou-lhe “uma primeira entrada na ilha por uma vila muito particular, com características muito singulares, muito difíceis, socialmente, economicamente, a vários níveis”, contou a realizadora à agência Lusa no início de 2021, nos Açores.

O Festival de Cinema de Veneza contou ainda com o filme “A noiva”, de Sérgio Tréfaut, na competição da secção “Horizontes”, e “O sangue” (1989), primeira longa-metragem de Pedro Costa, em versão restaurada, integrou a Semana da Crítica.

A realizadora portuguesa Ana Rocha de Sousa fez parte do júri do prémio “Luigi de Laurentiis”, destinado a primeiras obras.

Foram atribuídos este ano dois prémios de carreira – Leão de Ouro – ao realizador norte-americano Paul Schrader e à atriz francesa Catherine Deneuve.

Esta edição do festival, criado há 90 anos e visto pelos ‘media’ como uma rampa de lançamento para o cinema de Hollywood a caminho dos Óscares, começou a 31 de agosto sem restrições sanitárias por causa da covid-19.

O certame abriu com “White Noise”, de Noah Baumbach, protagonizado por Adam Driver e Greta Gerwig, também em competição.

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