“Doenças neurodegenerativas são o maior risco”

Mais do que a longevidade o relevante é o aumento do número de pessoas que atinge o limite máximo de 120 anos, os centenários, “e que com o envelhecimento vão atingindo novos patamares de risco”, afirma Luísa Lopes, do Instituto de Medicina Molecular.

As doenças degenerativas estão a aumentar e com o envelhecimento “vamos atingindo novos patamares de risco”, afirma a professora Luísa Lopes do Instituto de Medicina Molecular. Entre as doenças mais relevantes e sobre as quais a equipa de Luísa Lopes se tem debruçado está a doença de Alzheimer e para a qual não existe tratamento eficaz. “As pessoas perdem a qualidade de vida e as famílias ficam com um encargo médico e social”. Refere que 99,5% dos ensaios clínicos em Alzheimer falharam, sendo que estes “são de longa duração, monitorização cara e com efeitos secundários consideráveis”, disse a investigadora num recente seminário sobre o tema da longevidade e seguros, organizado pela broker MDS.

Com efeito, há dificuldades a nível de terapêuticas eficazes, muito embora, refere Luísa Lopes, “assistiu-se este ano a dois momentos marcantes: em março foi interrompido um dos ensaios mais promissores para um anticorpo para Alzheimer. No entanto, a mesma multinacional (Bayer) acabou em novembro por anunciar que afinal vai continuar com pedido para autorização do fármaco. Refere a investigadora que “há muita pressão social para que isso aconteça, sendo que há algumas terapias para sintomas, mas não um tratamento que retarde a doença”. E para além da doença existe a vertente economicista, pois se por um lado existe uma doença incapacitante, existe um tratamento em monoterapia, mas é algo oneroso. Frisa Luísa Lopes que “não tem havido grandes alternativas a esse tipo de tratamento e todos os dias trabalhamos em outros conceitos, sendo que a parte do ensaio clínico não tem sido muito bem sucedida”.

Mas há outras doenças que acompanham o envelhecimento (embora se possam manifestaram em outras idades), caso da doença de Parkinson, que terá “mais hipóteses terapêuticas, a par de vários tipos de cancro e outras doenças crónicas de preocupação social e de incapacidade”.

Perante o envelhecimento a melhor forma de reagir, explica a especialista, “é não envelhecer e há dados sólidos que os hábitos de vida retardam o aparecimento da demência, algo que tem a ver com o aumento do exercício físico”. A solução está em “manter o intelecto a funcionar, não ficar isolado em termos sociais, para além de prevenir todo o tipo de doenças cardiovasculares, não ter hábitos nocivos, ter a higiene do sono e da dieta equilibrada. E parece ser um cliché mas temos estudos epistemológicos que nos dizem que a prevenção tem sido a forma mais eficaz de retardar a doença de Alzheimer”. E depois “claro que há pessoas com maior risco do que outras, sendo que nestas doenças não é a questão hereditária, esta talvez pese 2% a 5%, são doenças esporádicas com fatores de risco associados, nomeadamente aos hábitos de vida. Também a história da depressão pode ser um fator de risco, a par dos hábitos nocivos de sono”. Adianta Luísa Lopes que “nem todos iremos sofrer, e mais do que ter um fármaco milagroso, há múltiplos fatores (que influenciam e geram doenças) e sobre muitos deles podemos ter o controlo”. Por exemplo, os antibióticos vieram aumentar a longevidade, “mas ao aumentarmos o número de pessoas que vivem mais tempo, também gerámos outros desafios”.

Recomendadas

Portugal registou 18.315 mil casos e 37 mortes de Covid-19 na última semana

A Direção-Geral da Saúde contabilizou mais 2.049 infeções em comparação à semana anterior.

PremiumPizarro precisa recuperar confiança e mudar políticas

Pela frente, o novo ministro da Saúde terá de, entre outros aspectos mencionados por ex-governantes, melhorar o acesso à saúde e ponderar em cooperar com o sector privado. Alertam que o SNS está pior na resposta à população.

Ministério da Saúde retoma negociações com sindicatos nas próximas semanas

Na conferência de imprensa sobre a Direção Executiva do SNS, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou que o Ministério está “muito empenhado” no retomar das negociações.
Comentários