Dois italianos impõe-se na castanha em Portugal

Monsurgel considera que a atribuição do Troféu PME é o “reconhecimento do empenho, trabalho e persistência”.

“Ver o nosso trabalho reconhecido eleva-nos a alma. Não foi fácil dois italianos chegarem a Portugal e tentarem ser players no mundo da castanha”, afirma ao Jornal Económico Francesco Marchese, sócio-gerente da Monsurgel, depois de a empresa ter vencido o Troféu PME atribuído pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa. “Foi um trabalho árduo chegar ao Portugal profundo e vencer sem criar desconfiança no mercado”, acrescenta.

O objetivo da Monsurgel está, essencialmente, assente no trabalho com a castanha fresca, castanha congelada e também o recém-lançado “Snack Castanha na Hora”, tudo aproveitando a experiência familiar de cinco décadas com a castanha. “O ‘Snack Castanha na Hora’ é dos produtos mais inovadores em Portugal. Se alguém imaginou abrir um pacote Tetrapack e ter castanhas prontas a comer, agora tornou-se realidade”, diz Francesco Marchese.
A empresa também aposta numa operação sustentável, produzindo e utilizando energias renováveis, através da instalação de painéis solares. Tem também uma estação de tratamento de águas residuais e as castanhas são oriundas de produções extensivas ou mesmo biológicas.

Novos mercados na mira
Sobre o futuro, Marchese afirma “a esperança” de alcançar explorar novos mercados. “Está nos nossos horizontes chegar com mais força à América do Norte, por exemplo. Obviamente que já nos aventuramos na produção de outra fruta congelada como os alperces, morangos ou mirtilos, mas a castanha será sempre o pilar do nosso trabalho: seja ela fresca, congelada ou mesmo snack”, diz.
Explica que, nos últimos dez anos, a área de plantação de castanheiro triplicou e que a rendibilidade obtida pelos produtores aumentou. Devido à qualidade da castanha em Portugal, a procura também se encontra elevada em vários países. No entanto, também identifica problemas: “Temos um entrave à produção devido a pragas e doenças, que, se nada for feito, poderá dizimar a produção. Existem já entidades públicas e algumas privadas a desenvolver algum trabalho nesta área e é crucial continuar a fazê-lo”, aponta.

O que a Monsurgel produz tem como foco o mercado internacional. “O escoamento de produto em Portugal não é para nós, por enquanto, uma prioridade. Portugal não tem tradição de consumo de castanha além do período de São Martinho. Seria aqui necessário investir na divulgação da excelente qualidade nutricional que este fruto seco possui”, afirma Francesco Marchese. “Fala-se da amêndoa, nozes ou baga de goji e a castanha acaba sempre por ser esquecida. Continua muito afastada ainda da mesa das famílias tradicionais portuguesas, mas é um superalimento”, garante.
Para 2022, a Monsurgel quer apostar nos produtos que já tem. “Acreditamos neles. Sabemos que temos excelente qualidade”, diz o gestor.
O objetivo definido é o de ultrapassar os 10 milhões de euros em volume de negócios já no próximo ano.

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