Dólar reforça tendência de alta após reunião da Fed

Mercado acionista com semana positiva, mas PSI20 recua. Montepio pode sair de bolsa em 2018.

As reuniões desta semana dos bancos centrais acabaram por ir globalmente ao encontro do esperado. O Banco de Inglaterra manteve a sua política acomodatícia, com a taxa de juro inalterada, nos 0,25%. A economia britânica continua a dar sinais positivos no quarto trimestre, o que reduziu a necessidade de novos estímulos. Por outro lado, a recente recuperação da libra poderá refletir-se numa subida da inflação menos acentuada que a anteriormente prevista, o que atenua a pressão para a subida de taxas. É por isto que é fácil de justificar a atual postura “neutral” do Banco de Inglaterra, que na quinta-feira voltou a admitir a hipótese quer de um corte de taxas, quer de uma subida no próximo ano. Nos EUA, a Reserva Federal (FED) voltou a subir a taxa de referência um ano depois (a última subida tinha sido anunciada em dezembro de 2015). Este era sem dúvida o cenário central, mas o “tom” mais otimista no discurso proferido por Janet Yellen, reforçou a subida do dólar. Para 2017 a FED prevê três subidas de taxas, uma aceleração face ao ritmo anteriormente esperado (duas subidas durante o próximo ano).

Os recentes acontecimentos têm dado suporte à valorização da moeda norte-americana. Desde o dia das eleições, que elegeram Donald Trump para novo presidente dos EUA, que o dólar tem registado uma tendência de alta, tendo já valorizado quase 6% face à moeda europeia. Esta tendência ganhou ainda mais impulso depois da reunião da FED, com o Eur/Usd a cair para mínimos de 2003. O ouro também renovou mínimos, neste caso do primeiro trimestre deste ano. O discurso mais otimista da FED veio também acelerar a subida do rendimento das obrigações soberanas norte-americanas. Espera-se que as medidas de estímulo defendidas por Trump impulsionem os níveis de inflação e possam até conduzir a uma subida de taxas de juro mais rápida por parte da FED. O ‘spread’ de juros a 10 anos entre os EUA e a Alemanha registou máximos de mais de 26 anos, com as ‘yields’ norte-americanas para este prazo em máximos de setembro de 2014.

As bolsas nos EUA voltaram a registar novos máximos históricos esta semana e, na Europa, Paris e Frankfurt negociaram em máximos do ano. Contudo, o PSI 20 encerrou a sessão de quinta-feira com uma desvalorização de 0.87% face ao fecho da semana anterior. O início da semana foi um pouco atribulado para as ações do BCP, que foram pressionadas pela venda da participação do Sabadell do seu capital. Nas últimas quatro sessões as ações do banco português acumularam uma perda superior a 16%. Por outro lado, no início desta semana a Galp beneficiou do acordo alcançado entre os membros da OPEP e alguns países que não pertencem ao cartel, entre os quais a Rússia, para um corte dos níveis de produção da matéria-prima. Apesar de já terem corrigido para níveis do final da semana passada, as ações da petrolífera estiveram a negociar em máximos de novembro de 2011. As unidades de participação do Montepio irão terminar em 2018. Na origem deste feito está a passagem do Montepio a sociedade anónima, o que implicará o fim deste fundo de unidade de participação e um destes dois cenários: o reembolso aos seus titulares ou a conversão em ações. As unidades de participação do Montepio entraram em bolsa em 2013 e compõem o PSI20 desde março deste ano.

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