Domingues sai da Caixa após ser impedido de fazer declaração secreta

Paulo Macedo, Carlos Tavares e Nuno Amado estarão entre os potenciais futuros presidentes do banco público.

Cristina Bernardo

O novo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) será anunciado pelo Governo nas próximas semanas, permanecendo António Domingues em funções até ao final do ano. A personalidade escolhida pelo Executivo será proposta ao supervisor europeu, dado que o sucessor de Domingues terá de levar por diante o plano de negócios e de recapitalização do banco público, que foi acordado com o Mecanismo Único de Supervisão.

A demissão de António Domingues, anunciada ontem à noite, ocorreu após a alteração legislativa que obrigará à divulgação do património dos gestores da Caixa, aprovada na passada quinta-feira com os votos dos deputados do PSD, CDS e Bloco de Esquerda. Domingues estava disposto a permanecer na CGD, mesmo que alguns dos seus colegas de administração se demitissem na sequência da polémica em torno das declarações de rendimentos; mas o presidente da CGD contava que, mesmo que entregasse a declaração ao Tribunal Constitucional, a mesma poderia permanecer confidencial. Porém, a mudança da lei tornou claro que a declaração de rendimentos do banqueiro não poderia permanecer secreta, à semelhança do que sucede com as que são entregues por todos os titulares de cargos públicos.

O comentador da SIC e ex-líder do PSD, Marques Mendes, defendeu ontem que o presidente da Caixa se sentiu “ofendido” com esta alteração da lei, vendo-a como uma lei “ad hominem”, isto é, feita à medida para o obrigar a revelar o seu património.

António Costa e Mário Centeno terão agora de escolher o novo presidente da CGD. Há duas semanas, foi noticiado que existia um “plano B” para a liderança do banco público, mas na altura o Ministério das Finanças desmentiu essas notícias. Agora, caso de de facto não exista, esse “plano B” terá de ser criado. E os nomes de Paulo Macedo, Carlos Tavares e Nuno Amado continuam a ser falados no setor financeiro como potenciais sucessores de António Domingues na presidência da CGD. O certo é que caberá à nova equipa de gestão da Caixa implementar o plano de capitalização de 2,7 mil milhões de euros, que está previsto para 2017 e que foi desenhado pela equipa do presidente-demissionário. O Governo está a tentar que alguns dos atuais administradores permaneçam em funções após a saída do presidente, mas espera-se mais demissões no ‘board’ do banco público.

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Quem é António Domingues?

Tem uma vasta experiência no setor bancário e, entre os amigos, há quem diga que lida bem com a polémica. Gosta de vela, filosofia e música clássica.
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