Donativos das empresas atingem 139,8 milhões de euros

As principais conclusões obtidas no “Retrato dos Donativos em Portugal” apontam para um aumento em 38% dos donativos das grandes empresas, das quais partem 55% dos donativos.

Em 2014, os donativos das empresas portuguesas ascenderam a 139,8 milhões de euros, com 57 408 empresas (20% do tecido empresarial português) a registarem donativos nas suas contas. Os números são do estudo “O papel das empresas na comunidade – retrato dos donativos em Portugal” da Informa D&B, em parceria com a “Sair da Casca”, e revelam que este valor equivale a 1,8% dos resultados das empresas antes de impostos, superior à média internacional, que se situa nos 1,04%, segundo a análise do London Benchmarking Group.

A distribuição dos donativos pelas empresas regista grande paralelismo com a estrutura do próprio tecido, com um reduzido número de grandes empresas (0,7% entre as que fazem donativos) a assumirem 55% do total de donativos, com uma média de 182 mil euros por empresa.
Por outro lado, a esmagadora maioria (96%) das empresas regista uma contribuição média de 381 euros. As micro empresas (volume de negócios inferior a dois milhões de euros) constituem a maioria (85%) das empresas que efetuam donativos e são também o segundo segmento que mais contribui para o total (21%).

Sobre os donativos, Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B, esclarece ainda que os das grandes empresas representam “mais de metade do valor total e permitem apoiar grandes projetos, garantindo a sua própria sustentabilidade; mas, por outro lado, existe um grande potencial entre as PME quanto ao seu contributo futuro, pela dimensão que assumem em número de empresas”.

Quatro setores geram 71%
Os setores do Retalho (26%), Gás, eletricidade e água (18%), Indústrias transformadoras (14%) e Grossista (13%) geram 71% do montante total de donativos. O setor do Gás, eletricidade e água é aquele onde a média de donativos efetuados pelas empresas atinge a quantia mais elevada (quase 70 mil euros por ano).
Estes números referem-se a empresas com atividade comercial e, dada a diferença na natureza do reporte financeiro, não inclui Banca e Seguros, que foram analisadas à parte. Entre as 71 instituições bancárias e de seguros analisadas, 37 (27 na banca e 10 nos seguros) registam donativos, num valor global de 23,9 milhões de euros, o que indicia o maior peso relativo destes setores em matéria de donativos.

Capital lidera
O valor dos donativos está bastante concentrado, com as empresas da Área Metropolitana de Lisboa a reunir 56% do total, seguida pelo Norte (25%) e pelo Centro (11%), apesar de estas duas últimas regiões registarem maior percentagem de empresas que fazem donativos: 37% e 29%, respetivamente, contra 20% da Área Metropolitana de Lisboa. O estudo demonstra ainda que o montante dos donativos tende a aumentar à medida que aumenta a idade das empresas.

Voluntariado e luta contra o desperdício alimentar
Para além da análise quantitativa da Informa D&B, a Sair da Casca procurou saber junto das empresas que realizam donativos quais as práticas que privilegiam. Em geral, as empresas estão a evoluir para uma estratégia de filantropia cada vez mais bem organizada, com empresas que querem contribuir não apenas com financiamento, mas também com competências, e que manifestam o seu interesse em seguir o desenvolvimento dos projetos.
O voluntariado tornou-se uma prática consolidada e integrada de 83% das organizações analisadas, criando oportunidades para os colaboradores conhecerem melhor o setor social e o contributo que podem ter, num contexto em que Portugal ainda faz parte dos países em que os cidadãos menos aderem a esta prática. Ainda assim, esta prática em Portugal está longe da média europeia: na Europa, 24% das pessoas com mais de 15 anos fazem voluntariado, valor que em Portugal é apenas de 11,5.
Por outro lado, desde 2015, a luta contra o desperdício começou a ter protagonismo nas empresas, de forma mais premente nas áreas da indústria de transformação alimentar e no retalho. Segundo o estudo realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e a Missão Continente (2016) – “Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade”, o combate ao desperdício tornou-se um grande consenso nacional e uma preocupação generalizada dos portugueses.

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