Draghi: “O fim gradual do programa de compras não foi discutido”

O BCE vai passar a comprar também ativos abaixo da taxa de depósitos que está em nível negativo. “É uma opção, não uma obrigação”.

Kai Pfaffenbach/Reuters

Na conferência de imprensa do BCE depois da última reunião com os bancos centrais, Mario Draghi disse que a partir de janeiro, vai passar a incluir no programa de compras obrigações soberanas de maturidades mais curtas. A mínima exigida às obrigações para estarem ao abrigo do programa cai de dois para um ano e, a partir do mesmo mês, o BCE vai também passar a comprar as obrigações com yields abaixo das taxas oferecidas pelos depósitos  (hoje negativas em 0,4%).

A compra de obrigações abaixo da taxa do depósito a que os bancos colocam o dinheiro no BCE “é uma opção, não uma necessidade”, explicou o presidente do BCE. “É mais para ter a opção de continuar com a implementação suave do programa”, disse.

Também na mesma conferência de imprensa recusou que tivesse sido discutido hoje o “tapering”, do programa de compra de activos. Isto é, “não foi discutida a redução gradual do programa de activos até zero”.

O presidente do BCE também admitiu a sua presença no mercado por um longo período de tempo. “O programa de quantitative easing correrá até que o percurso da inflação seja consistente com o objectivo do BCE”, que é de 2%.

Sobre a inflação prevista de 1,7% para 2019, Draghi diz que não satisfaz o BCE. “Não é o mesmo que atingir o objectivo”. Mas reconheceu que o risco de deflação desapareceu.

O presidente do BCE voltou a apelar a politicas fiscais mais amigas do crescimento da economia.

As decisões de hoje tiveram por base uma avaliação das perspectivas macroeconómicas da zona euro, mas o programa pode sempre expandido se as perspectivas se degradarem, garantiu Draghi.

O presidente do BCE considera que se mantêm riscos ao crescimento económico, embora decrescentes.

A XTB comentou o discurso de Draghi. O gestor Eduardo Silva diz que o “Banco Central Europeu expandiu o programa de compra de dívida até ao final de 2017, a um ritmo de 60 mil milhões. Considerando os riscos políticos que assolam a região, o anúncio era esperado. O consenso apontava para a possibilidade de o BCE anunciar um prolongamento de seis meses, em que o valor seria inalterado. Assim, ao prolongar por nove meses, mas reduzindo o valor  em 20 mil milhões, apesar de esperado, o anúncio teve impacto imediato no euro que caiu fortemente e os índices europeus dispararam, bem como os juros das obrigações com o discurso de mais expansionismo”.

Sobre a questão do “tapperig” – que na definição do termo representa terminar as comprar de dívida – que Draghi disse que nunca esteve em cima da mesa, nem será ponderado nas próximas reuniões. Eduardo Silva realça que “A partir de Janeiro, as regras para aquisição de activos serão menos apertadas, aumentando o intervalo de maturidades e permitindo compras abaixo da taxa de depósito, por forma a garantir a disponibilidade de activos para o programa correr sem percalços”.

“O presidente do BCE sublinhou que consoante os desenvolvimentos económicos poderá aumentar o valor ou a duração do programa, mas acredita que o crescimento irá acelerar em 2017. O dados do crescimento foram revistos em alta, tendo em conta as melhorias consideráveis registadas nas últimas semanas, como a confiança do consumidor, a recuperação no mercado laboral e inflação a mostrar sinais de que pode acelerar”, refere o gestor da XTB.

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