Draghi e o impacto do Brexit na Europa: “É difícil prever as consequências económicas”

O presidente do BCE realçou que as economias da zona do euro e do Reino Unido estão a resistir bem às incertezas geradas pelo ‘Brexit’, mas pede que se esclareça o mais rapidamente possível o processo de negociação.

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), acredita que as economias da zona do euro e do Reino Unido estão a resistir bem às incertezas geradas pelo ‘Brexit’. No entanto, Draghi advertiu que o impacto real do Brexit vai depender do resultado das negociações, por isso, pediu às partes para esclarecer o mais rapidamente possível o processo de negociação.

“Até ao momento, a zona euro tem resistido às sequelas do resultado com uma encorajadora resistência, em parte graças aos preparativos dos bancos centrais e supervisores de ambos os lados do canal […] No Reino Unido, a atividade económica continuou também bastante resiliente, graças ao robusto crescimento do consumo”, afirmou hoje Draghi, numa audição perante o Parlamento Europeu.

No entanto, o presidente do BCE, alertou que a incerteza parece ter afetado o investimento no Reino Unido e o valor da libra esterlina, e relembrou que  “em geral, espera-se que a atividade económica abrande no Reino Unido”.

Embora Draghi acredite que os riscos de curto prazo foram mitigados, os riscos de médio e longos permanecem, e vão depender da negociação entre as partes: “É difícil prever as consequências económicas precisas da saída do Reino Unido da UE. Estas dependem consideravelmente do momento, do progresso e dos resultados das próximas negociações. Por isso, é importante ser claro no processo negocial, o mais rapidamente possível, para reduzir a incerteza. ”

O italiano explicou também que esses riscos são: “A economia do Reino Unido menos aberta em termos de comércio, migração e investimento direto internacional”, o que teria um impacto negativo sobre a “inovação, a concorrência e produtividade e no crescimento potencial ” das economias.

De acordo com Draghi, esse impacto iria afetar especialmente o Reino Unido, mas, também acabaria por afetar de forma “limitada” os outros parceiros, particularmente aqueles que têm maiores laços comerciais com os britânicos.

Recomendadas

OE2023: Margem orçamental para função pública está esgotada

Na primeira reunião, realizada na segunda-feira, o Governo indicou que a valorização da administração pública iria custar 1.200 milhões de euros, incluindo aumentos salariais, progressões e promoções e a revisão da tabela remuneratória.

PremiumBdP revê inflação em alta, mas pico já deverá ter passado

Banco central projeta taxa de 7,8%, a mais elevada desde 1993 nos preços, levando a perdas reais nos salários, que crescem a uma taxa mais baixa. Juros em alta não devem criar terramoto na dívida.

PremiumSalário mínimo da Função Pública vai subir 57 euros

A base remuneratória da Administração Pública vai subir 8% em janeiro, o que significa que esses trabalhadores não perderão poder de compra. Já a maioria dos demais funcionários públicos vai ter aumentos abaixo da inflação.
Comentários