Duarte Cordeiro: “Aumento de 3% no mercado regulado da eletricidade continua a ser o aumento mais reduzido”

Para o governante o aumento na eletricidade “não é muito significativo no contexto atual de preços”. “Temos de perceber o contexto em que estamos inseridos”, disse Duarte Cordeiro durante audição com a comissão de Ambiente e Energia.

José Sena Goulão/LUSA

O ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, aproveitou a intervenção em audição com a comissão de Ambiente e Energia para defender as medidas relativas aos gás, mas para abordar também o mercado regulado da eletricidade.

“O aumento de 3% no mercado regulado da eletricidade continua a ser o aumento mais reduzido quando comparado com todas as outras alterações do ponto de vista de preço”, disse Duarte Cordeiro no Parlamento em resposta ao Chega. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a fatura da luz vai subir 3% no mercado regulado em outubro.

Para o governante, o aumento “não é muito significativo no contexto atual de preços”. “Temos de perceber o contexto em que estamos inseridos, qual o preço que está a existir em média dos restantes operadores de mercados e se as famílias consegue quem quer no nosso país, quer noutros países aumentos de preços menores”, destacou.

Nesta matéria, o ministro quis também dar nota de que “este controlo de preços no mercado regulado tem acontecido porque temos investido na tarifa do mercado regulado”.

Relativamente à tarifa regulada do gás, Duarte Cordeiro disse que “se compararmos com aquilo que é o comercializador que tem o preço mais baixo do mercado, as famílias poupam cerca de 33%”. “Portanto, é uma redução significativa”, considerou, acrescentando que, “se formos a comparar com o comercializador mais popular, as famílias poupam cerca de 60%”.

O regresso à tarifa regulada de gás foi uma medida apresentada pelo ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e pelo próprio Secretário de Estado, em 25 de agosto, e incluída no programa Famílias Primeiro de contenção dos efeitos da inflação. Depois foi apresentado pelo primeiro-ministro António Costa no dia 6 de setembro e debatidas pelos Ministros das Finanças, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, do Ambiente e da Ação Climática e das Infraestruturas e da Habitação no dia 7.

“Não encontramos ainda nenhuma medida das várias propostas que têm sido colocadas do ponto de vista da discussão pública, nenhuma medida que tenha produzido efeito melhor do que o ponto de vista do preço porque as famílias podem beneficiar e, portanto, no gás a medida que adotamos é aquela que permite objetivamente um preço mais baixo”, afirma Duarte Cordeiro.

Na perspetiva do governante, o regresso à tarifa do gás “é das poucas medidas que tem um efeito deflacionário”. “As famílias podem poupar até 10% face aquilo que atualmente pagam se não estavam no mercado regulado. As que já estavam no mercado regulado têm exatamente o benefício de não ter aumentos muito significativos comparado com o resto do mercado”, enfatizou.

O ministro do Ambiente garantiu ainda que o Governo está focado “nos preços que as famílias estão a pagar”. “Nós devíamos avaliar o que está a acontecer no nosso país em comparação ao que está a acontecer noutros países”, frisou.

“Temos procurado ter discussões mais técnicas para que não haja dúvidas sobre a forma como as medidas estão a ser criadas e os seus benefícios e depois traduzir de forma mais clara às famílias o que elas têm de poupar”, disse ainda o governante.

Recomendadas

Costa pede novas regras fiscais europeias que permitam investimentos estratégicos

Quando a União Europeia debate uma revisão das regras fiscais e financeiras o primeiro-ministro, António Costa, considera que existe uma proposta da Comissão que já tem “contributos muito positivos”, no entanto, é necessário, para além desses contributos, “um estabilizador macroeconómico permanente”, para “estabilização em situações de crise”.

Detida vice-presidente do Parlamento Europeu em investigação de lóbi ilegal do Qatar

A social-democrata grega Eva Kaili, está entre os cinco detidos na Bélgica no âmbito de uma investigação sobre alegado lóbi ilegal do Qatar para influenciar decisões políticas em Estrasburgo, diz a imprensa belga.

Eutanásia: Montenegro reitera dúvidas e diz que PS e Chega são “cúmplices no medo do referendo”

A Assembleia da República aprovou a despenalização da morte medicamente assistida em votação final global, pela terceira vez, com votos a favor da maioria da bancada do PS, da IL, do BE, dos deputados únicos do PAN e Livre e ainda de seis parlamentares do PSD. Votaram contra a maioria da bancada do PSD, os grupos parlamentares do Chega e do PCP e seis deputados do PS, registando-se três abstenções entre os sociais-democratas e uma na bancada socialista.
Comentários