Dunas Capital fecha acordos para emprestar à TAP dois Airbus A321 LR Neo

Gestora de ativos espanhola investiu 385 milhões de euros em aeronaves para os poder emprestar, como “lesser”, às companhias aéreas, sobretudo as que têm participações estatais. É o caso da TAP, que também já opera a maior parte da sua frota em “leasing”.

A Dunas Capital, uma gestora de ativos espanhola que chegou a ser sócia da atual Heeds Capital, anunciou que investiu 100% dos 104 milhões de euros angariados pelos seus fundos Dunas Aviation I FCR e Dunas Capital Aviation SCR, com os quais criou uma carteira diversificada de 12 aeronaves comerciais com um valor aproximado de 400 milhões de dólares. Este é o primeiro fundo centrado neste tipo de classe de activos que alguma vez foi comercializado em Espanha.

A notícia foi inicialmente avançada pelo El Confidencial, entretanto confirmada num comunicado oficial. A Dunas está, assim, a operar como “lesser”, alugando as suas aeronaves às companhias que não pretendem ser donas dos aparelhos que encomendam aos fabricantes, como a Airbus, a Boeing ou a Embraer. É o caso da TAP, que opera grande parte da sua frota através de contratos de leasing.

Tipicamente, o investimento inicial nos aviões é feito pelos “lessers”, que depois cobram um fee para que as companhias os possam operar.

De acordo com a Dunas Capital, como parte da estratégia de alcançar acordos com companhias aéreas apoiadas pelos governos, foram fechados dois negócios precisamente com a companhia aérea portuguesa TAP para dois Airbus A321 LR Neo e um com a Qatar Airways para um Boeing 787 Dreamliner.

Por outro lado, como parte dos acordos com companhias aéreas centrados no tráfego doméstico, a equipa de gestão optou por investir em dois Airbus A220-100 para a transportadora americana Delta Airlines e sete A321 para a Cebu Pacific, o líder filipino no tráfego doméstico entre as ilhas do país. Desta forma, a equipa de gestão conseguiu construir uma carteira global e diversificada com exposição a quatro modelos de aeronaves, quatro geografias altamente diferenciadas e quatro companhias aéreas de primeira linha.

“A Dunas Capital lançou estes inovadores fundos de capital privado em Janeiro de 2020, antes da crise Covid-19, com o objectivo de investir em aeronaves comerciais em leasing a longo prazo para companhias aéreas de primeira linha. A base de investidores do fundo inclui tanto institucionais (companhias de seguros, fundos de pensões, fundos mútuos, sociedades de previdência, etc.) como investidores privados, após o Grupo Dunas Capital ter chegado a um acordo de distribuição exclusiva com uma instituição líder de private banking”, refere a gestora espanhola.

Depois de analisar mais de 100 potenciais acordos durante 2020 e 2021, a equipa de gestão fez cinco investimentos entre Março e Novembro de 2021, uma vez identificadas as tendências claras de recuperação no sector.

A estratégia de investimento do fundo centrou-se em alcançar acordos com companhias aéreas com claro apoio governamental e aquelas com maior exposição ao tráfego doméstico, um segmento que recuperou muito mais rapidamente do que o tráfego internacional e que já atingiu níveis quase pré-pandémicos em muitas geografias, refere a Dunas Capital.

Como resultado, o NAV (net asset value) do fundo subiu aproximadamente 12% na sua primeira avaliação e uma primeira distribuição aos investidores será feita nas próximas semanas, acrescenta. Actualmente, a idade média da frota dos aviões é de quatro anos e inclui vários dos modelos mais eficientes do mercado, assegura a gestora num comunicado oficial.

A equipa da Dunas Capital Real Assets, liderada por Gregorio Herrera, actuou como consultor de investimento. Além disso, foi prestado aconselhamento jurídico e fiscal pela KPMG, Watson Farley & Williams, DWF RCD e Walkers Global.

A Arena Aviation Capital actuou como consultor e gestor técnico das transações e o International Bureau of Aviation actuou como consultor especializado para o fundo.

“Após os bons resultados alcançados com o seu primeiro fundo centrado em aeronaves comerciais, a Dunas Capital já começou a preparar o lançamento de um segundo fundo que seguirá uma estratégia semelhante, prestando especial atenção aos critérios da ESG, mantendo o foco na diversificação e bons créditos, e sem deixar de lado o foco nos activos mais versáteis e líquidos”, revelou a Dunas.

David Angulo, Presidente da Dunas Capital, declarou em comunicado que “os excelentes resultados alcançados até agora pelo fundo Dunas Aviation reafirmam-nos na nossa estratégia de crescimento no espaço de activos alternativos como complemento à carteira de produtos inovadores e de qualidade que oferecemos aos nossos clientes”.

Já Miguel Cacho, director de investimentos alternativos da Dunas Capital Asset Management, afirmou que “o sector da aviação, que sofreu um dos mais duros golpes na sequência da pandemia, começa a mostrar sinais claros de recuperação. Isto prova mais uma vez que excelentes oportunidades de investimento podem ser encontradas em todos os cenários de mercado, quando o foco se mantém na criação de valor a longo prazo”.

Borja Fernandez-Galiano, Head de Vendas da Dunas Capital, acrescentou que “este produto gera retornos estáveis no longo prazo, com ativos subjacentes de baixa volatilidade e um grande componente de decorrelação para as carteiras de nossos clientes. o próximo lançamento do nosso segundo fundo focado em aeronaves comerciais será mais uma vez um sucesso”.

Recomendadas

Poupanças no gás com mecanismo ibérico entre 2,3% e 34,8%

O mecanismo ibérico que colocou um travão aos preços no mercado do gás usado para produzir eletricidade gerou poupanças entre os 2,3% e os 34,8%, nos dias 17 de julho e 07 de julho, respetivamente, segundo dados divulgados esta quarta-feira.

Após multa de 48 milhões, EDP Produção pondera acionar meios legais

O Tribunal da Concorrência confirmou hoje a decisão da Autoridade da Concorrência (AdC), que atribuiu uma coima de 48 milhões de euros à EDP Produção por abuso de posição dominante, com a elétrica a avaliar recurso aos meios legais.

Prevista para este verão, burocracia atrasa decisão sobre saída do Facebook e Instagram da UE

Um regulador de privacidade irlandês agiu contra a Meta (empresa-mãe) devido a um mecanismo de transferência dos utilizadores europeus para os EUA.
Comentários