Nem duro nem brando: Vamos ter um Brexit de colisão

“Que Brexit vamos ter: duro ou brando? Talvez nenhum destes. Existe uma terceira possibilidade pouco discutida mas cada vez mais provável: um “Brexit de colisão”. A opinião de Gideon Rachman no Financial Times sobre a terceira via da saída do Reino Unido da UE.

Luke MacGregor/Reuters

“De acordo com esta versão”, escreve o colunista do Financial Times, “Reino Unido e UE não conseguem fechar negociações para o divórcio e o Reino Unido descarrila fora da União Europeia com consequências caóticas para as relações comerciais e diplomáticas”.

De acordo com a opinião de Gideon Rachman, “as versões duras e brandas diferem nas suas posturas sobre a imigração e o mercado único da União Europeia, mas também partilham uma similitude crucial. Assumem que a União Europeia e o Reino Unido conseguirão acordar uma separação ordenada”.

De facto, existem argumentos sólidos para pensar que será impossível culminar um divórcio bem gerido e que, no seu lugar, vai ter lugar uma espécie de “choque de comboios”, defende o colunista do Financial Times. As razões para isto são tanto políticas como de procedimento.

No que se refere ao procedimento, defende Gideon Rachman, “o problema está no facto das negociações serem demasiado complicadas e de ser difícil que as mesmas sejam concluídas no tempo que se dispõe para discuti-las”.

“Reino Unido e a UE terão que desfazer e reorganizar uma relação legal, económica e comercial tecida durante mais de 40 anos. Mas as duas partes irão dispor apenas de dois anos para alcançar e ratificar um acordo uma vez que o Reino Unido ative o Artigo 50 e notifique formalmente a intenção de saída”, defende o colunista.

Provavelmente, o ponto crítico onde a União Europeia assenta as dívidas financeiras do Reino Unido pós-Brexit. Bruxelas calcula que o Reino Unido poderá ser confrontado com uma fatura de 50 a 60 mil milhões de euros. É provável que os britânicos recebam essa cifra com indignação.

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