E quando a moda passar?

Para quem trabalha no turismo e no mercado de investimento imobiliário, não restam dúvidas – Lisboa está na moda! Os números assim o revelam: Lisboa tem batido recordes no número de visitantes e são inúmeros os prémios e distinções que a cidade tem recebido. No mercado imobiliário assistimos, desde o final do ano passado, a […]

Para quem trabalha no turismo e no mercado de investimento imobiliário, não restam dúvidas – Lisboa está na moda!
Os números assim o revelam: Lisboa tem batido recordes no número de visitantes e são inúmeros os prémios e distinções que a cidade tem recebido.
No mercado imobiliário assistimos, desde o final do ano passado, a um crescimento do número de casas vendidas assim como dos preços de venda. O programa dos Golden Visas e o Regime dos Residentes Não Habituais têm sido os principais motores desta dinâmica, mas o fator moda e o marketing boca-a-boca têm também aqui um peso que não deve ser desvalorizado.
Simultaneamente começamos a assistir, este ano, a uma procura extraordinária, por parte de investidores estrangeiros, por imóveis para promoção, principalmente para reabilitação no centro da cidade, com o objetivo de desenvolver projetos residenciais ou turísticos, sejam hotéis, hostels ou apartamentos para arrendamentos de curta duração. Há muita liquidez no mercado internacional e Lisboa, quando comparada com outras cidades europeias apresenta preços ainda muito atrativos. Contudo a procura parece exceder a oferta e a tendência é o aumento dos preços.
Depois de tantos anos de crise é com muita satisfação, como profissional, que assisto e participo nesta dinâmica de mercado; e como lisboeta dá-me gosto ver a nossa cidade ficar cada vez mais atrativa, face às novas ofertas que têm surgido e que estão previstas, mais vivida e de “cara lavada”.
Contudo, face ao atual ritmo da procura, não deixo de estar atenta à quantidade de projetos que poderão vir a ser desenvolvidos no médio prazo e o risco de o mercado daqui a uns poucos anos ficar inundado de hotéis e apartamentos posicionados para um segmento alto de mercado. Qual a sustentabilidade deste mercado? E quando a moda passar ou as próprias regras do jogo se alterarem, qual a capacidade do mercado doméstico para absorver a oferta nova que é colocada no mercado? Claro que é necessário continuar a trabalhar para manter a cidade sempre atrativa aos olhos do mercado internacional mas há que pensar no mercado doméstico e na sua capacidade de absorver a oferta nova que é colocada n mercado. Porque quando a moda passar é com o mercado local que vamos ter de contar.

Cristina Arouca
Diretora associada do departamento de Research e Consultoria da CBRE

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