E se, no futuro, não precisarmos da Companhia da Luz?

Imagina um mundo sem a Companhia da Luz, sem uma rede elétrica, sem um contador à porta de casa e sem uma fatura da energia para pagar?

Não é claro quando e se esse dia chegará. Mas é indesmentível que está em curso uma mudança fundamental na forma como a energia elétrica é produzida, distribuída e consumida.

O setor da energia elétrica foi historicamente considerado um setor maduro, conservador e pouco interessante. O produto “eletricidade” é uma commodity, absolutamente indiferenciada, com a qual os consumidores têm uma relação pouco ou nada afetiva, com exceção nos escassos momentos em que o mesmo não está disponível de forma imediata, em suas casas, para consumo instantâneo. O setor é altamente regulamentado, deixando pouco espaço à criatividade da gestão para a inovação, quando comparado com outros setores, e nem mesmo a sua liberalização e o unbundling da cadeia de valor veio introduzir o dinamismo esperado.

Mas este paradigma está a mudar. E não apenas porque todo o contexto económico esta a mudar, com o advento da 4ª revolução industrial. Está a mudar porque a própria natureza do negócio vai ser diferente. Muda a produção, com uma alteração muito significativa das fontes de energia utilizadas, com particular relevo para o vento e a luz solar. Muda o transporte e a distribuição da energia, em redes cada vez mais inteligentes. Muda o consumo, com novas ofertas combinando energias e serviços, com a crescente capacidade dos consumidores para moldarem o seu consumo, e com a sua transformação em prosumers, passando a ser simultaneamente produtores e consumidores.

Mas muda também porque a partir de agora passa a ser possível guardar energia de forma sustentada e individualizada, através do desenvolvimento de baterias cada vez mais eficientes. E se a utilização das mesmas por si só, já permitiria uma alteração significativa de todo o modelo, pela redução de picos, com evidentes ganhos para o sistema, a sua combinação com a microprodução solar permitirá, a prazo, desligar os consumidores da rede elétrica, passando cada um a produzir e guardar a energia que consome. E esta pode ser a mais importante disrupção em curso no setor, com impactos para todos os agentes.
Perante este cenário, qual será o papel que as Utilities ambicionam ter? Como se vão relacionar com os clientes? Que produtos e/ou serviços pretendem oferecer?

E os consumidores, que modelo vão desejar? E se não precisarmos da Companhia da Luz?

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