e_ducação 4.0

Este ano, a nível nacional, estão disponíveis vários cursos profissionalizantes de um ano que promovem o conhecimento, a inovação e a liderança no sector profissional/industrial em articulação com a universidade.

À beira das férias de verão é altura de desenhar resoluções para setembro, antes de desligar. No caso das instituições de ensino superior, em Portugal, este é o momento em que aguardam com expectativa as decisões dos alunos do secundário e candidaturas às novas pós-graduações, mestrados e doutoramentos.

O ensino superior apresenta, cada vez mais, uma oferta de competências digitais aos futuros profissionais para, assim, responder às transformações da transição digital no século XXI, impulsionando e alterando os mecanismos de construção de conhecimento e inovação. Se considerarmos que estes acontecem de forma dinâmica, acompanhando a evolução digital, tal significa que as instituições de ensino estão a desempenhar um papel decisivo na sociedade e na economia do país.

Assim como nos desafios mundiais lançados, em 2016, por Klaus Schwab, presidente do Fórum Económico Mundial, “65% das crianças que ingressam na primeira etapa da escolarização terão empregos que ainda não são conhecidos pela sociedade”.

Segundo Regina Führ, no livro “Educação 4.0 nos Impactos da Quarta Revolução Industrial”, é o momento ideal para “novas competências e habilidade que necessitam ser desenvolvidas por meio de um currículo holístico que apresenta projetos interdisciplinares de investigação e contribua na construção da autonomia, da criatividade, da criticidade dos educandos”.

No panorama das políticas públicas nacionais, a Educação 4.0 assume-se como construção do futuro na transformação dos modelos de produção e de vida social, promovida por tecnologias capazes de integrar os domínios físicos, digitais e biológicos da vida humana.

Contudo, a Educação 4.0 não é feita somente de tecnologias. Estas têm que ser acompanhadas de práticas do ensino-aprendizagem que possibilitem uma implementação de uma educação autónoma, personalizada e individualizada para a autotransformação, a auto-organização, governança coletiva e práticas de prototipagem. Um dos pilares é o learning by doing”, em português “aprender fazendo”, ou seja, construir competências através da vivência e experimentação, incluindo empresas.

Neste contexto, a participação de adultos em programas de atualização e reconversão de competências, através de mestrados e pós-graduações, constitui, também, um ponto de viragem nas políticas de educação. Trata-se de uma oportunidade que se estende, igualmente, à educação contemporânea da arquitetura na cultura digital. Este ano, a nível nacional, estão disponíveis vários cursos profissionalizantes de um ano que promovem o conhecimento, a inovação e a liderança no sector profissional/industrial em articulação com a universidade.

As práticas de inovação digital em arquitetura emergem como uma via importante de resposta à descarbonização, adaptação climática envolvendo novas infraestruturas azul-verde, e transição para uma nova economia verde e circular.

Todos estes grandes desafios são improváveis de ser realizados com sistemas analógicos de planeamento urbano e governação, num curto prazo, e na mitigação das perturbações ambientais, económicas e sociais. É urgente aos arquitetos adquirirem  um conjunto de competências aplicadas para a inovação nos processos e produtos do projeto, através de ferramentas associadas à computação, impressão 3D, robotização, realidade virtual e aumentada e Inteligência Artificial.

Citando Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”. O caminho passa, assim, por uma educação mais democrática e inclusiva que crie as condições adequadas para novas oportunidades.

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