Economia abranda num contexto de “elevada inflação” (com áudio)

Os indicadores de curto prazo relativos à atividade económica, na perspetiva da produção apontam para um abrandamento, numa altura em que a inflação está em níveis históricos, salienta INE.

Com a inflação em níveis históricos, a economia portuguesa está a abrandar. O Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou, no terceiro trimestre de ano, e os indicadores de curto prazo relativos à atividade económica, na perspetiva da produção, também apontam para um abrandamento, destaca esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com a nota divulgada esta manhã, o PIB nacional cresceu 4,9%, entre julho e setembro. Ora, no trimestre anterior, tinha subido mais de 7% , o que significa que se verificou agora uma desaceleração.

E também os indicadores de curto prazo apontam nesse sentido. “O indicador de atividade económica, que sintetiza um conjunto de indicadores quantitativos que refletem a evolução da economia, desacelerou significativamente em setembro, após ter acelerado em agosto, retomando o perfil de abrandamento registado entre março e julho e registando a taxa mais baixa desde março de 2021”, destaca o gabinete de estatísticas.

Do mesmo modo, o indicador do clima económico diminuiu entre agosto e outubro, “reforçando o movimento descendente iniciado em
março e atingindo o mínimo desde abril de 2021”.

Além disso, o montante global de levantamentos nacionais, pagamentos de serviços e compras em terminais TPA apresentou um crescimento homólogo de 12,9% em outubro, menos 1,3 pontos percentuais do que a variação registada no mês anterior.

“O índice de preços na produção da indústria transformadora apresentou uma taxa de variação homóloga de 21,6% em outubro, desacelerando pelo terceiro mês consecutivo, após ter registado em julho o crescimento mais elevado da atual série (25,9%)”, acrescenta o INE, que observa ainda que a inflação atingiu 10,1% em outubro, a taxa mais elevada desde maio de 1992.

Contas feitas, o gabinete de estatísticas sublinha, na síntese económica da conjuntura, que os “sinais de abrandamento da economia acumulam-se”, num cenário de elevada inflação.

Ao mesmo tempo, no mercado de trabalho, o desemprego aumentou ligeiramente e a remuneração média caiu 4,7%, em termos reais.

Já no que diz respeito ao contexto externo, é importante observar que o PIB da zona euro cresceu 2,1%, no terceiro trimestre, desacelerando. Já o preço médio do petróleo aumentou 1,4%, atingindo 96,1 euros.

As previsões das várias instituições apontam para um 2023 marcado por uma desaceleração generalizada (incluindo da economia portuguesa), face à crise energética, à escalada dos preços e ao contexto de incerteza, que a guerra em curso na Ucrânia veio agravar.

Atualizada às 11h31

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