Economia brasileira deverá crescer a partir do final de 2015, realça embaixador

O embaixador brasileiro em Portugal disse em Lisboa que está otimista sobre o futuro do Brasil, pois acredita que feitas as reformas económicas conjunturais necessárias, o país voltará a ter um crescimento sustentável já no final de 2015. “Há alguns problemas conjunturais na economia e estes serão corrigidos no ano de 2015, de modo que […]

O embaixador brasileiro em Portugal disse em Lisboa que está otimista sobre o futuro do Brasil, pois acredita que feitas as reformas económicas conjunturais necessárias, o país voltará a ter um crescimento sustentável já no final de 2015.

“Há alguns problemas conjunturais na economia e estes serão corrigidos no ano de 2015, de modo que já no final do ano que vem e nos anos seguintes, o Brasil volte a crescer de forma sustentável”, declarou Mário Vilalva.

O embaixador brasileiro fez estas declarações no final da entrega do “prémio Dário Castro Alves 2014”, do qual foi o agraciado, em Lisboa.

“Nós não estamos aqui falando de um problema estrutural, pois a economia brasileira continua com fundamentos muito sólidos. Estas reformas vão corrigir aspetos conjunturais da economia brasileira”, declarou.

“Eu sei que há uma dramatização natural pós-eleitoral. Os ânimos ainda estão aquecidos, mas em poucos meses isso vai amainar, de modo que o Governo poderá dar sequência a uma série de reformas que a Presidente Dilma Rousseff anunciou durante a campanha”, sublinhou.

Apesar do crescimento económico de 0,2% estimado para 2014, o embaixador disse que há outros indicativos que mostram que a economia continua “aquecida”, como os “robustos” fluxos de investimento externos, a taxa de juro nominal (Celic, a 11% anual) e o baixo desemprego no país (4,9%), entre outros.

Segundo o diplomata brasileiro, os problemas conjunturais estão ligados aos gastos muito altos nos investimentos do Mundial de futebol, além da crise económica internacional (que levou a uma menor exportação, com efeitos na balança comercial), e o aumento das despesas por ser um ano eleitoral, facto que é visível em todo o mundo, entre outras questões.

São estes problemas conjunturais que terão de ser solucionados, passando pelo aumento da competitividade brasileira nas exportações e o corte nos gastos públicos, entre outras medidas.

Mário Vilalva disse acreditar ainda que não há dúvida que “o Governo em exercício venceu democraticamente as eleições” (de 5 de outubro) e entendeu a mensagem que veio das urnas.

“A mensagem das urnas é muito clara. Os eleitores pediram uma mudança, mas com um voto de confiança no Governo de Dilma Rousseff”, acrescentou.

O embaixador afirmou que a Presidente brasileira entendeu perfeitamente a mensagem e já está a providenciar “uma série de alterações e mudanças na sua própria equipa, inclusive na equipa económica”, que deve ocorrer a qualquer momento e estender-se pelos próximos meses, passando pelos vários ministérios.

Sobre a questão da corrupção, visto que o país passa por uma onda sem precedentes nesta matéria, o diplomata brasileiro declarou que há um “bom funcionamento da justiça” e que Dilma Rousseff vem combatendo a corrupção.

Mário Vilalva afirmou ainda que, a médio prazo, são necessárias reformas importantes, nomeadamente a reforma política – na questão do financiamento das campanhas políticas, na composição dos partidos e o modelo eleitoral – e a reforma tributária.

Sobre Portugal, reafirmou o sucesso nas relações comerciais e de investimento entre os dois países, sublinhando que se pode melhorar ainda mais.

O diplomata referiu que as relações entre Brasil e Portugal já entraram numa terceira etapa, em que existe uma grande parceria no setor da alta tecnologia e da ciência.

Sobre a privatização da TAP, o embaixador disse que seria muito interessante o Brasil participar neste processo, mantendo a empresa de aviação no universo lusófono.

O “prémio Dário Castro Alves”, atribuído hoje ao embaixador, foi instituído em 2004 pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) e os homenageados têm em comum o facto de prestigiarem a cultura e a presença da comunidade brasileira em Portugal.

Entre os premiados destacam-se a jornalista Paula Ribeiro (2004), o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres (2008), o advogado José Paulo Cavalcanti Filho (2012) e Miguel Horta e Costa (2013).

OJE/Lusa

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