Economia portuguesa deverá ter crescido 6,5% em 2022, estima Católica

Católica está mais pessimista sobre o desempenho da economia no ano passado do que o Governo. E espera um “desempenho frágil” para este ano.

A economia portuguesa deverá ter crescido 6,5% em 2022, segundo uma estimativa hoje divulgada pelo centro de estudos económicos da Universidade Católica Portuguesa (o NECEP).

“No conjunto do ano de 2022, a variação deverá ter sido de 6,5%, embora o Governo
tenha anunciado um crescimento de 6,8%, o que exigiria um crescimento de 0.4% no último trimestre”, segundo a nota hoje divulgada.

A Católica destaca que “no quarto trimestre de 2022, a economia portuguesa poderá ter operado em torno de 101,9% do nível pré-pandemia, relativo ao quarto trimestre de 2019. Os dados são algo contraditórios, mas a melhor estimativa é que a economia portuguesa tenha contraído cerca de 0,5% face ao terceiro trimestre do mesmo ano, o que corresponde a um crescimento de 2,4% em termos homólogos”.

A universidade destaca que, por seu turno, a zona euro “deverá ter crescido 0,1% em cadeia no mesmo trimestre, o que é surpreendente já que, até há pouco tempo, parecia inevitável uma ligeira contração. Em 2022, a zona euro terá crescido 3,4%, ainda sob o efeito do ressalto pós-pandemia que foi travado pela guerra na Ucrânia, pela subida dos preços da energia e por uma taxa de inflação anormalmente elevada (8.4%)”.

Sobre a inflação, a Católica espera um recuo este ano. A nota sublinha que a “inflação média foi de 7,8% em 2022 (com uma variação homóloga de 9,6% em dezembro), embora seja razoável esperar que possa descer para cerca de 6,0% em 2023, fruto da recente desaceleração. A política monetária do BCE deverá contribuir para uma redução da inflação na zona euro e em Portugal, mas apenas no limiar de 2024, dado que as taxas diretoras estão ainda no intervalo entre 2,00% e 2,75%”.

“Tudo indica que o BCE deverá subir as taxas de juro de referência ao longo dos próximos meses, seguindo a liderança da Reserva Federal norte-americana neste âmbito, de modo a que as taxas de juro se aproximem de níveis que sejam neutros em termos de estímulo da atividade económica e compatíveis com o objetivo de médio prazo em termos de inflação (2%)”, diz a NECEP sobre a política monetária.

Para 2023, a Católica espera que a economia nacional tenha um “desempenho frágil” com um intervalo de previsão que “vai de uma contração de 1% até uma expansão de 2%, centrado em 0,5%”.

“O investimento apresenta uma dinâmica fraca – deverá ter avançado apenas 2,1% em 2022 – apesar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Outros fatores a observar são a evolução da inflação e das taxas de juro, bem como os limites ao crescimento do turismo. O consumo privado poderá ressentir-se em função da redução real do rendimento disponível, que poderá ser parcialmente mitigado pela redução da poupança”, pode-se ler no documento.

Já o saldo estrutural “poderá melhorar cerca de um ponto percentual face a 2022, fruto da redução do rendimento disponível dos pensionistas em termos reais, a principal medida de
ajustamento orçamental de 2023. O saldo primário e a evolução da inflação poderão contribuir para a redução do peso da dívida pública no produto, mas a subida das taxas de juro poderá acarretar riscos adicionais para o défice nominal e para a sustentabilidade da dívida a longo prazo”.

Em relação à zona euro, a economia “deverá ter um comportamento semelhante [face à portuguesa], com o ponto central do crescimento do PIB em 0,7% e um intervalo compreendido entre uma contração de 0,6% e uma expansão de 2,0%. Há o risco de uma recessão suave, mas esse não parece ser, ainda, o cenário mais provável. Os principais fatores de risco são a evolução da economia mundial, em particular, os desenvolvimentos nos EUA e na China que abandonou a sua política de Covid zero. Os preços da energia, a inflação e a subida das taxas de juro permanecem como principais condicionantes da evolução da economia, numa altura em que a guerra na Ucrânia, um desenvolvimento trágico, não parece ser um fator adicional de pressão sobre a economia europeia”.

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