Economia portuguesa precisa de ser “mais competitiva e aberta”, defende João Ferro Rodrigues

O economista e empresário João Ferro Rodrigues diz encarar o futuro da economia portuguesa com algum otimismo, mas defende que é preciso estimular a concorrência e diversificar as oportunidades no mercado laboral.

Cristina Bernardo

João Ferro Rodrigues considera que é possível encarar o futuro da economia portuguesa com otimismo, mas há passos que têm de ser dados para que seja mais competitiva. De acordo o economista, é preciso estimular a concorrência e diversificar as oportunidades no mercado laboral, bem como haver menos barreiras nos acessos aos sectores e profissões.

Sobre a economia portuguesa, “podemos encarar o futuro com algum otimismo”, afirmou o economista e empresário João Ferro Rodrigues, esta terça-feira, isto porque as razões que pesaram nos últimos 20 anos “estão a mudar” e são “razões muito estruturais”, nomeadamente o papel da China e de outros países na concorrência dos produtos ou a transição energética.

A ideia foi manifestada no quinto debate do ciclo quinzenal “Pensar a Economia”, organizado pelo Instituto de Direito Económico Financeiro e Fiscal (IDEFF) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa com o apoio da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Ordem dos Economistas, além do Jornal Económico como media partner.

Ainda assim, a economia nacional tem de ser “mais competitiva e aberta”, defende o economista. Nesse sentido, é preciso haver “mais concorrência e menos barreiras nos acessos aos setores e profissões reguladas”, pois o “principal problema da economia portuguesa é a sua fraca concorrência”.

“A maior parte dos setores da economia portuguesa são compostos por dois ou três grandes ‘players’ avessos à livre concorrência: veja-se, por exemplo, os conflitos criados pelas ordens profissionais para contestar regras que pretendem facilitar o acesso às suas profissões”, afirma João Ferro Rodrigues, notando que estes casos constituem “fortes barreiras à entrada, as quais prejudicam imenso a competitividade da economia”.

De forma a dinamizar a economia portuguesa, o empresário propõe um conjunto de medidas para estimular a concorrência na economia e diversificar as oportunidades no mercado laboral, nomeadamente a eliminação de “barreiras artificiais no acesso às profissões reguladas”, o “reforço dos reguladores”, a criação de “conselhos estratégicos em cada autarquia com empresas e universidades locais” ou a defesa de um “modelo contributivo da segurança social”.

Este tema é abordado no livro “A Era do Nós: Propostas para uma Democracia do Bem Comum”, de João Ferro Rodrigues. O autor foi desafiado, no âmbito deste ciclo de conferências, a fazer uma releitura da obra à luz da nova realidade económica nacional e internacional, marcada pela guerra na Ucrânia e pela subida dos preços.

Na obra, o economista defende que, nas últimas décadas, a “humanidade tem caminhado no sentido de uma crescente atomização”, concluindo que “a maioria da população existe numa bolha restrita, pouco representativa da multiplicidade que o mundo abarca”.

Nesse sentido, João Ferro Rodrigues defende a importância de “uma vida orientada para a comunidade e para o bem comum”, apresentando “propostas concretas e soluções práticas que não dependam dos partidos ou do Estado, mas que tenham um grau de concretização mais comunitário”.

Uma dessas propostas passa pela criação de um Serviço Cívico Nacional Obrigatório: “É uma maneira quase cirúrgica de rebentar as bolhas porque o objetivo é que decorra no final do 12.º ano, antes de os jovens prosseguirem os estudos ou irem trabalhar”, afirma João Ferro Rodrigues, notando que “estes poderiam escolher entre o serviço militar, defesa e segurança ou a parte mais cívica, trabalhando na área da proteção florestal, com idosos no combate à solidão ou na integração de imigrantes”.

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