Portugueses consomem menos devido a impostos elevados

Portugal é o país europeu onde existe maior preocupação em como pagar as prendas de natal. Durante os últimos seis meses, os portugueses pediram em média empréstimos de 2,239 euros para pagar contas.

Cristina Bernardo

O mais recente estudo da Intrum, titulado de ”European Consumer Payment Report 2018” (ECPR), refere que Portugal é o país europeu onde existe maior preocupação em como pagar as prendas de natal. O estudo foi divulgado esta quarta-feira, e recolheu dados de mais de 24 mil consumidores, em 24 países europeus, e analisou os seus hábitos e comportamentos de consumo.

O estudo conclui que 44% dos portugueses inquiridos dizem-se preocupados em como pagar os presentes de natal, sendo o país que expressa esta preocupação em maior percentagem entre todos os países europeus participantes, cuja média europeia se situa nos 27%, informa o comunicado enviado às redações.

Este ano, foram introduzidos novos dados no relatório que permitiram analisar o impacto dos impostos na economia doméstica. Concluiu-se que 67% dos portugueses considera que os impostos terão um impacto negativo na sua economia privada, em comparação com a média europeia, que se situa nos 47%.

Dos inquiridos, 64% afirma ainda que os impostos levam a consumir menos do que antes, um valor alto comparativamente à média europeia que é de 46%.

Para além disso, 75% refere que os impostos têm um grande impacto no preço de bens e serviços, tornando-os mais caros, percentagem também superior às respostas da média dos consumidores europeus que se situa nos 62%.

O ”ECPR” 2018 revelou que os portugueses conseguem poupar em média 193 euros por mês comparado com o ano passado que registou os 80 euros. A média europeia do ano passado era de 385 euros e este ano de 255.

Apesar de conseguirem poupar mais, nos últimos doze meses, 38% dos portugueses não pagou as suas contas no prazo estabelecido, valor este inferior ao ano anterior que foi de 41%.

Durante os últimos seis meses, os portugueses pediram em média empréstimos de 2,239 mil euros para pagar contas valor superior à média europeia que é de 1,839 mil euros. Sendo que, 37% dos inquiridos prefere pedir empréstimos ao banco e 33% à família.

Esquecimento (57%) e a falta de dinheiro para pagar (38%) são os principais motivos mencionados para justificar o atraso de pagamento. O ano passado, as percentagens foram de 54% e 42% respetivamente. Os inquiridos referiram que as contas de televisão (24%), gás, água e eletricidade (23%) e os empréstimos (19%), são as que mais pagam após o prazo limite. Em 2017 os valores situavam-se em 20%, 23% e 15% respetivamente.

Quase 30% dos portugueses continuam a comprar bens de consumo com plano de pagamento, crédito ou utilizando dinheiro emprestado, percentagem esta ligeiramente superior em relação ao ano anterior (26%).

Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum, “aconselha os portugueses a treinarem, ao longo do ano, a sua capacidade para gastar dentro das suas possibilidades, pensar duas vezes antes de efetuar uma compra de forma a avaliar o preço/produto, e caso realizem algum plano de pagamento, o importante é que mantenham o compromisso assumido. Se enfrentarem dificuldades financeiras, o passo a seguir é sem dúvida pedir aconselhamento de forma a evitar problemas maiores e assim, controlar a sua situação financeira”.

Recomendadas

CRC do Banco de Portugal. Afinal, de que se trata?

A Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) é uma base de dados gerida pelo Banco de Portugal que contém informação prestada pelas entidades participantes (instituições que concedem crédito) sobre os créditos concedidos aos seus clientes.

É jovem e quer abrir a sua primeira conta bancária? Saiba aqui algumas dicas

Hoje pode optar por abrir conta sem sair de casa e com garantia de segurança. Quase todos os bancos oferecem um conjunto de serviços através de aplicações que poderá utilizar para consulta e efetuar transações.

80% dos que se despediram em 2022 arrependem-se da decisão, aponta estudo

O fenómeno que ficou conhecido como ‘a grande demissão’ resultou num grande arrependimento. 80% dos trabalhadores que largaram os seus empregos no ano passado gostaria de voltar atrás na decisão, revela um estudo da Paychex.
Comentários