Editorial. Este é o tempo de Costa!

António Costa perdeu por muitos a 4 de outubro. Já todos sabemos. A esquerda cresceu. O centro direita ganhou, mas ficou dependente do fiel da balança e esse é o PS de Costa. São factos determinados pelos resultados da noite eleitoral. 1ª conclusão. Todos ganharam, de uma forma ou de outra. Mas concentremo-nos no líder que […]


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António Costa perdeu por muitos a 4 de outubro. Já todos sabemos. A esquerda cresceu. O centro direita ganhou, mas ficou dependente do fiel da balança e esse é o PS de Costa. São factos determinados pelos resultados da noite eleitoral.

1ª conclusão. Todos ganharam, de uma forma ou de outra. Mas concentremo-nos no líder que pode ganhar mais e esse é Costa.

2ª conclusão. O futuro estruturante do país radica no PS de Costa e o PR já tinha percebido o cenário há muito tempo. Começou por perceber aquando da lamentável história do “irrevogável” Portas. O PR desenhou um plano que poderia dar a vitória ao então secretário geral do PS, António José Seguro. As partes, incluindo o PS, não entenderam o modelo e a vida prosseguiu com a política a dar uma volta de 180 graus. O PR voltou à carga e recomendou a Passos que se entenda com o PS para uma estabilidade governativa.

3ª conclusão. O tempo é de Costa que não vai governar, nem sequer deixar que alguns dos seus integrem um elenco governativo. Não faria sentido quando tem outros trunfos e outros objetivos. O trunfo é a capacidade de impor nas matérias estruturantes as ideias do programa do PS. Os partidos da coligação terão de ter a ginástica para encaixarem outras ideias, o que não é mau para o país, pois atenua a potencial contestação pública. As negociações serão duras e feitas caso a caso para deixar passar o programa de Governo e o OE.

4ª conclusão. Costa tem a oportunidade de se afirmar como partido de esquerda e afastar a falácia do voto útil. Tem à sua esquerda dois grandes partidos que cresceram e querem ser solução de Governo! Como? Costa vai-lhes perguntar se aceitam os princípios dogmáticos do PS, desde a moeda única, o Tratado Orçamental ou a NATO. A resposta é não, claro, sob pena de deixarem de ser partidos de esquerda diferentes. E Costa tem a oportunidade única de afirmar o PS como o único partido de esquerda com capacidade de ser Governo integrado no projeto europeu. Os votos à sua esquerda estão perdidos, não permitem chegar ao poder. Costa tem agora a capacidade de clarificar o eleitorado indeciso e que pensou votar na disrupção e na verdade. Podem recentrar parte do eleitorado que tenha sido capturado pelos dogmas cegos.

5ª conclusão. Costa tem tempo para o fazer. Não vai governar e não vai fazer o papel de odioso num ano de 2016 que é penoso em termos de contas públicas e onde não haverá desaperto de cinto. Foram-se as eleições, desapareceram as promessas. Vamos ver o que é viável fazer daquilo que foi prometido. Bruxelas já avisou. O fiel da balança poderá colocar alguma água na fervura da austeridade e capitalizar com isso porque tem acesso ao poder.

Por Vitor Norinha, diretor do OJE

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