Editorial. O passado, sempre o passado

É a política de um “casamento” baseado em cedências e conquistas.


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O arranque dos debates parlamentares foi marcado pelo passado: por aquilo que o Governo anterior diz ter bem feito (e apresenta números, dados, rácios) e aquilo que o novo Governo diz ir reverter, alterar e modificar, de acordo com a vontade popular.

Mas será que este passado tem valor? Claro que sim, tanto mais que é preciso compreender o presente. Mas será que as ideias, algumas delas disruptivas à luz da mentalidade do Governo anterior, são asneiras? Claro que não.

É crucial respeitar vontades eleitorais, as quais são interpretadas pelos partidos. Há casos de experimentalismo, há casos de nítidos falhanços e há caso de asneiras pegadas. No sufrágio eleitoral, vem tudo ao de cima e o partido(s) é (são) penalizado(s). Estar no poder significa ter uma estratégia. Entrou um novo governo e faz o trivial. Deita para trás das costas algumas desculpas daquilo que não consegue fazer. O OE vai atrasar porque não estavam traçadas as linhas preliminares.

Pergunta-se como é poderiam ser traçadas linhas se o atual Governo quer reverter estratégias a nível orçamental, fiscal e políticas de remunerações! Por outro lado, há estratégias alinhadas com a Europa que só se poderão interromper numa lógica de disrupção experimentalista. Será legítimo? Tenho dúvidas.

O argumento do passado, sempre o passado. A história não pode ser esquecida e a memória tem de ser refrescada, mas não é solução para nada. Há uma nova orientação. A oposição perde credibilidade se não fizer o papel de crítica construtiva. O arrasar total não é solução porque não foi para isso que os deputados foram eleitos. E a oposição dentro do grupo do Governo? Essa é outra história, a qual António Costa tem, por enquanto, sabido gerir.

O primeiro-ministro sabe que terá as malas à porta a prazo, mas não sabe quando é que acontecerá a rutura com a sua nova família política. Pode ser que aconteça dentro de quatro anos, ou não. Até porque, quem aguentar os próximos quatro anos, aguentará um entendimento para uma nova legislatura. Mas Costa sabe que tem parceiros com um pé dentro e outro fora. O pé que está de fora garante-lhe a sobrevivência dentro do seu espaço político.

A contestação é sempre mais fácil do que a construção de um modelo que tem que seguir princípios que não são os do respetivo eleitorado. Por outro lado, as centenas de milhares de votos que a extrema-esquerda granjeou envolvem interesses, muitos lóbis, os quais precisam de ser satisfeitos. E, por isso, PCP e Bloco serão partidos que aparecerão sempre a dar alguma coisa. Costa e Centeno terão o papel odioso de tirar a alguém os fundos necessários para os seus colegas de apoio parlamentar poderem oferecer de bandeja. É a política de um “casamento” baseado em cedências e conquistas.

Por Vítor Norinha/OJE

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