Editorial. Portugal em estado crítico

O país fica numa situação crítica. A coligação ganhou as eleições legislativas de 4 de outubro com maioria relativa. O Presidente da República vai chamar a governar um executivo minoritário e que dificilmente fará passar os diplomas necessários à mudança estrutural do país. Só o conseguirá com o apoio do PS, já que mais à […]


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O país fica numa situação crítica. A coligação ganhou as eleições legislativas de 4 de outubro com maioria relativa.

O Presidente da República vai chamar a governar um executivo minoritário e que dificilmente fará passar os diplomas necessários à mudança estrutural do país. Só o conseguirá com o apoio do PS, já que mais à esquerda não há qualquer hipótese. António Costa, o líder do PS, fez finca-pé e não se demitiu, contra a expetativa da coligação e de algumas fações dentro do PS.

Sem a demissão de Costa o trabalho do novo Governo fica difícil, muito difícil mesmo. Do lado do PR aquilo que pode fazer é insistir para um acordo de incidência parlamentar entre os partidos do arco da governação. O PR perdeu a “bomba atómica” quando marcou as eleições para um período para um período durante o qual sabia que não poderia dissolver o parlamento.

Resta-lhe pedir à coligação e ao PS que se entendam em algumas matérias. António Costa fez um discurso polido de derrota, mas com muito sabor a vitória. Tudo irá passar por ele. Sem Costa o Governo não tem condições de sobrevivência porque ficará inoperacional, a começar pela viabilização do Orçamento. Em noite eleitoral e que afinal não foi a “noita das facas longas” como prognosticaram os “inner circles” do PSD e de algumas fações do PS, Costa disse que não viabilizaria o OE.

Bem, pensamos nós, é o discurso do 4 de outubro. Dentro de alguns dias Costa estará com Cavaco Silva a discutir condições para fazer o contrário. Vai ser duro nas exigências e Cavaco terá de apaniguar Costa e Passos para se entenderem em temas fundamentais.

É possível que alguns acordos de incidência parlamentar durem alguns meses. É um cenário.

Mas existe já uma certeza: mesmo que o Governo se forme, o Orçamento do Estado passe, e se conseguirem alguns acordos, será um Governo de meses e Portugal e os portugueses irão sofrer na pele a instabilidade.

É bem possível que as condições dos mercados financeiros reajam à instabilidade política e endureçam as condições de financiamento. Um analista do BIG previu subida de juros no mercado secundário. É mau para o Estado, as empresas e as famílias. O país foi a votos e fica numa situação crítica.

Por Vítor Norinha
Diretor editorial do OJE

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