EDP: “A Europa teve sorte este inverno, não vai haver problemas de abastecimento”

“Europa já está livre da dependência do gás da Rússia”, disse hoje Joana Freitas da EDP Produção.

Bloomberg

Desde o início da invasão russa da Ucrânia que a União Europeia voltou a debater-se com o problema da extrema dependência energética de Moscovo.

A União Europeia decidiu embargar a compra de petróleo à Rússia (arranca em dezembro) e de combustíveis (a partir de fevereiro de 2023), com o gás natural a ficar de fora dos embargos, mas o gasoduto Nord Stream deixou de funcionar depois de ser sabotado por desconhecidos.

“Será que a Europa vai conseguir atravessar o inverno sem apagões? Desde os anos 70 que não enfrentávamos situações de risco”, começou por questionar hoje a administradora da EDP Produção.

A gestora recordou uma frase de Napoleão que queria que os seus generais tivessem três qualidades: corajosos, competentes e… com sorte.

“A sorte é uma coisa importante. E a Europa teve sorte este inverno”, resumiu Joana Freitas, apontando que agora já há “dúvidas”, mas em relação ao “próximo inverno”.

“Com a política de zero casos Covid, a China teve uma redução da produção industrial, o que permitiu deslocar gás natural liquefeito para a Europa. Em outubro e novembro, tivemos temperaturas muito mais elevadas do que o normal. E a estação de aquecimento das casas veio atrasada”, destacou durante um discurso na conferência de energia luso-brasileira EvEx a decorrer em Lisboa.

“Hoje estamos seguros de que a Europa vai atravessar este inverno sem problemas de abastecimento”, declarou.

Além dos problemas da Rússia que provocou um problema de abastecimento de gás natural e um aumento dos preços, metade das centrais nucleares em França estão sem produzir este ano, a Europa vive um ano de seca extrema. Várias energéticas europeias também foram resgatadas pelos seus governos em França, Alemanha, Finlândia ou Suécia.

Joana Freitas recorreu às palavras do professor universitário italiano Simone Tagliapietra para dizer que a “Europa já se desligou e já está livre da dependência do gás da Rússia”.

Na sua análise, também destacou que a Alemanha prometeu 300 mil milhões de euros para apoiar o tecido empresarial do país devido aos aumentos dos custos com energia, mais de metade do previsto para a totalidade na UE (576 mil milhões de euros).

Isto criou uma “tensão entre estados-membros, nem todos têm capacidade orçamental para auxiliar a sua industria, esta a criar uma situação de desigualdade de concorrência”, sublinhou.

O problema russo também levou vários países a recuarem nos fechos das suas centrais a carvão.

Sobre as renováveis, apontou que a importação de painéis solares da China subiu desde o início da guerra na Ucrânia.

Apesar da Europa ter conseguido resolver a sua dependência da Rússia, apontou que ainda existe outro problema energético: “A Ucrânia tem sido objeto de ataques às suas infraestruturas de energia elétrica” pela Rússia e corre o risco de ficar às escuras.

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A EDP explica que “estas famílias conseguem uma poupança média de até 30% ou mesmo 70% quando agregado a uma bateria de armazenamento. A produção de energia gerada nestas instalações seria suficiente para abastecer com energia renovável 500 mil pessoas por mês, o equivalente a fornecer apenas com energia solar toda a população de Lisboa”.
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