EDP antecipa em seis meses início de barragem no Brasil

A central hidroelétrica de São Manoel é um dos maiores investimentos em curso pela EDP. A unidade brasileira da empresa detém 33% de um consórcio que já investiu mais de 840 milhões de euros no projeto.

Foto cedida

A EDP – Energias do Brasil antecipou em seis meses a entrada em operação da primeira unidade da central hidroelétrica de São Manoel, um dos maiores investimentos em curso pelo grupo liderado por António Mexia, revelou fonte oficial da empresa ao Jornal Económico.

“Com 175 megawatts (MW) de potência, esta primeira unidade entrou em testes a 5 de dezembro, quando o prazo previsto era maio de 2018”, adiantou.

“As obras tiveram início em setembro de 2014 e, até o terceiro trimestre deste ano, receberam investimentos superiores a 840 milhões de euros”, adiantou.

A hidroelétrica de 700 MW de potência (no conjunto das suas quatro unidades) situa-se no rio Teles Pires, na fronteira entre Mato Grosso e Pará, e pertence ao consórcio formado pela EDP, CTG Brasil (China Three Gorges Brasil) e Furnas Centrais Elétricas, cada uma com um terço do projeto.

Os 700 MW de capacidade vão gerar energia suficiente para abastecer uma população de cerca de 2,5 milhões de pessoas, explicou.

“Para além de São Manoel, a EDP também conseguiu também que as hidroelétricas de Cachoeira Caldeirão e Santo António do Jari entrassem em operação antes do tempo previsto”, sublinhou.

A EDP no Brasil

Com atuação em toda a cadeia elétrica, a EDP Brasil está presente no país há 22 anos, com presença em 12 estados e emprega, atualmente, cerca de três mil colaboradores.

Controlada pela EDP Energias de Portugal em 51%, a EDP Energias do Brasil abriu o capital no Novo Mercado da BM&FBovespa, em 13 de julho de 2005.

Em janeiro de 2013, a empresa entrou no IBOVESPA, principal índice do mercado de valores mobiliários da América Latina, após o desdobramento de ações ordinárias em 2012.

Nos primeiros noves meses de 2017, a contribuição da unidade brasileira para o EBITDA(resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do Grupo EDP representou 17% do total.

A contribuição da EDP Brasil ascendeu a 464 milhões de euros, estável face ao período homólogo, mas a empresa explicou que a unidade foi penalizada pela mais valia gerada nos primeiros nove meses do ano passado com a venda de Pantanal.

Excluindo este efeito, o EBITDA cresceu 13% (+55 milhões de euros), beneficiando de um impacto cambial favorável (+50 milhões de euros, resultante de uma apreciação do real brasileiro médio face ao euro em 12%).

Em moeda local, o EBITDA ajustado subiu 1%, apesar do ambiente de mercado desafiante, explicou a EDP.

Relacionadas

Miguel Setas: “Apesar do cenário desfavorável, o projeto ficou dentro dos custos e prazos”

O CEO salienta que mesmo no contexto da crise que o Brasil atravessa, houve êxito no financiamento da barragem. Prevê que o próximo ano irá ser de crescimento económico, o que deverá reforçar o negócio da energética portuguesa no Brasil.

EDP Renováveis já garantiu 482 MW em contratos de energia eólica no Brasil

Estes devem iniciar as respetivas operações em 2017, 2018 e 2023, adianta um comunicado da EDP.

EDP Brasil compra 14,46% da principal empresa do sector eléctrico no Estado de Santa Catarina

O preço pago por essa participação na Celesc, foi de 230 milhões de reais 59 milhões de euros). Com a conclusão da operação, e condicionada à efectiva conclusão da compra, a EDP Brasil irá lançar uma Oferta Pública Voluntária para aquisição em mercado de acções preferenciais da Celesc.

Proveitos regulados da EDP Distribuição revistos em baixa em 14 milhões nas tarifas para 2018

A versão final agora divulgada reduz os limites máximo e mínimo dentro dos quais a taxa de remuneração anual desta atividade pode variar ao longo do período 2018-2020.
Recomendadas

BNA levanta suspensão da participação no mercado cambial imposta ao Finibanco Angola

O Finibanco Angola tinha sido suspenso de participar no mercado cambial, por um período de 45 dias, pelo Banco Nacional de Angola (BNA), depois de o supervisor bancário angolano detectar incumprimentos durante uma inspecção pontual, em meados de agosto.

“Café com o CEO”. Assista à conversa com o Dr. Luís Teles, em direto a partir de Luanda

“Café com o CEO” é uma iniciativa promovida pela empresa angolana E.J.M, fundada por Edivaldo Machado em 2012, que procura dar a conhecer os líderes que estão a dar cartas em Angola e outros países da Lusofonia. Assista à sessão em direto de Luanda, capital angolana.

Rogério Carapuça: “Há que estar entre os primeiros, não ser o primeiro dos últimos”

O presidente da APDC considera que o desenvolvimento do sector das TIC se dá a um ritmo saudável apesar dos obstáculos concretos que ainda impedem o país de estar entre os melhores classificados. A capacitação e qualificação das pessoas e das empresas são desafios no topo da agenda, mas a simplificação é palavra de ordem para abandonar o paradigma da burocracia que assombra os serviços públicos, alerta Rogério Carapuça.
Comentários