EDP anuncia aumentos de 2,5% e ERSE diz para consumidores compararem preços

Aumento é justificado com subida de 24% da energia no mercado grossista. ERSE aconselha troca se houver “condições mais vantajosas”.

EDP

A EDP Comercial anunciou que as tarifas do mercado livre vão subir, em média, 2,5% a partir de dia 18 de janeiro de 2018, justificando com a subida do preço da energia do mercado grossista no último ano na ordem dos 24%. Ao mesmo tempo, a ERSE, o regulador do mercado, aconselhou os consumidores a compararem preços e a mudar, “se encontrarem condições mais vantajosas”.

Os consumidores portugueses do mercado regulado vão pagar menos 0,2% pela eletricidade em 2018, segundo as tarifas mais recentes da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que entram em vigor no próximo ano. Esta é a primeira descida do preço final da eletricidade em quase duas décadas.

A tarifa social da eletricidade continuará a representar um desconto de 33,8% face às tarifas transitórias de venda a clientes finais (antes do IVA e outras taxas) – isto é, os preços de referência do mercado regulado -, mas os consumidores que já estão no mercado livre beneficiam da mesma redução.

Tal como exemplifica o regulador, a expressão no orçamento familiar da redução subjacente às tarifas transitórias é de 0,09 euros para uma fatura média mensal de 45,7 euros. Quanto aos consumidores com tarifas sociais, terão uma diminuição na fatura mensal de eletricidade no valor de 0,05 euros para uma fatura média mensal de 20,4 euros.
“Depois de serem publicadas as tarifas, estivemos a analisar o documento e a percorrer uma série de cenários e a atualização vai ser em média de 2,5%. A forma como construímos os preços foi para proteger e privilegiar famílias/casas onde continuamos a ser competitivos face à tarifa regulada. Nas segundas habitações, garagens ou arrecadações continuamos a ser menos competitivos, porque têm mais potência e menos consumo do que a média”, explicou ao Jornal Económico Miguel Stilwell de Andrade, administrador da EDP.

A atualização vai abranger cerca de 4 milhões de consumidores e terá um impacto médio de menos de um euro nas faturas mensais. Tal como a DECO, o responsável da EDP aconselha os clientes a terem em conta os vários aspetos da conta da luz, nomeadamente a componente fixa (potência) e a componente variável (consumo), que tipicamente representa 75% de uma fatura média.

Miguel Stilwell de Andrade salienta que a empresa procurou ter fazer uma redução na componente do consumo, subindo a da potência. Na tarifa bi-horária, os preços da EDP Comercial vão ser entre 1% e 3% mais altos do que os praticados aos clientes que ainda têm tarifa regulada.

A partir de 1 de janeiro, os clientes de Baixa Tensão Normal (domésticos e pequenos negócios) em mercado livre de eletricidade podem regressar à tarifa regulada, mantendo o mesmo comercializador, se este disponibilizar o novo regime, ou voltando ao fornecedor em mercado regulado, a EDP – Serviço Universal.

A EDP Comercial é o principal operador no mercado livre em número de clientes – com 84% do total de clientes – e em consumos (cerca de 43% dos fornecimentos no ML).

Com esta decisão, os cerca de quatro milhões de clientes da empresa que pretendam aderir ao novo regime têm duas opções: mudar para um fornecedor em mercado livre que adote o novo regime ou para a EDP – Serviço Universal.

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O regulador esclarece que apenas fixa as tarifas para o mercado regulado, que vão ter uma redução de 0,2% em 2018, e que no mercado livre, “os comercializadores só incorporam no preço as Tarifas de Acesso às Redes fixadas pela ERSE que, em 2018, se reduziram em -4,4%”.

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