EDP: perda de competitividade de centrais a carvão gera custo extra de 300 milhões em 2019

A energética liderada por António Mexia que esse custo vai ter um impacto negativo de 200 milhões de euros no lucro deste ano. A empresa manteve inalterado, no entanto, o compromisso do dividendo: 19 cêntimos por ação.

Cristina Bernardo

A EDP – Energias de Portugal afirmou esta quinta-feira que a aceleração do processo de transição energética ao longo do ano de 2019 implicou uma deterioração material das perspectivas de rentabilidade das centrais eléctricas a carvão no mercado Ibérico, um cenário que vai resultar num custo extraordinário de 300 milhões nas contas da empresa para de 2019

A competitividade destes activos é penalizada pelo aumento do preço das licenças de emissões de CO2, a redução dos preços do gás, assim como a perspectiva de aceleração do crescimento da capacidade instalada de energias renováveis, adiantou, em comunicado divulgado no site da CMVM.

“A incorporação deste cenário nos testes de imparidade anuais, em cumprimento da norma contabilística IAS 36, irá resultar num custo extraordinário de 300 milhões, a contabilizar no exercício de 2019, e correspondente impacto negativo de 200 milhões ao nível do resultado líquido”, sublinhou, adiantando que o impacto final está sujeito a
aprovação pelos auditores externos.

“Este custo contabilístico extraordinário, sendo neutral ao nível do cash flow e dívida líquida de 2019, não terá qualquer impacto na política de dividendos anunciada em março de 2019, que definiu em 0,19 euros por ação o montante mínimo do dividendo anual durante o período 2019-2022”, explicou.

[atualizada às 16h26]

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